CAUSO: O contador de causo
Era um matuto dos bons e vivia num
rancho do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o apelido dele. Acreditava em
tudo que via e ouvia. E tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas.
Adorava contar casos de assombração e outros bichos:
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLJK7nSfYUq_5vCdkZhmqFzqBZ605xftBfBAw4Zp92hdqCBEI4L3Il_R7p7vqYjb1rg3urLsoCaZHhOb9P79iUX5gS2XftIRfXcwlYkbL0uV_U0I6BiyZ_PUoaIBpF5m4fpjTzSiyB1sgjuekznZI97E0lG-KFezpiwFsUHLG3ug5lerCTLGRtYE6HYSg/s1600/SACI.jpg - Fui numa caçada de veado no primeiro
dia da quaresma! Ai ! ai! Ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí
apareceu a assombração! Arma penada do outro mundo. E os cachorro disparo. Foro
tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu pensamento,
pruque eis tamem pressintiru a penúria passanu ali tertu!
- Mas era assombração mês Esse mundo é
surtido!
- Pois no mundo sortido do seu Ico
também tinha saci!
- Quando é o que o senhor viu saci, seu Ico?
- Ara! Vi a famia toda, num foi um saci
só... Tinha o saci, a sacia gravi, e os sacizim em riba da mãe, tudo,pulano
numa perna
- E o que eles fizeram ou disseram pro
senhor?
- Nada... O Saci cachaço inda ofereceu brasa
pro meu paero. Gardicido! Eu disse... e entrei pra dentro modi num vê mais as
tranquera...
- E mula-sem-cabeça? Ah, seu Ico garante que
existe:
- Essa eu nu nca vi, mas ouvi o rinchando
dela umas par de veis... E otro que eu tamem vi foi o tar de lobisome! Ê bicho
fei! Mais num feis nada...desvirô num cachorro preto e sumiu presse mundão de
meu Deus. Agora, em um dia de prescaria, aparece muito é caboclo d'água. Um
caboquim pretim e jeitado que mora dentro do rio...Ah, e tem que vê tamém o
caapora. Bichu fei! E o curupira! Vichi Maria, é fei dimais, tem pé virado pa
trais...
- E com tudo isso o senhor ainda se arrisca
a ir pro meio do mato, seu Ico?
- Pois vô sem medo! Qué sabe? – Dá uma
gargalhada rouca e faz um ar maroto. – Qual! Tenho muito, mais muito mais medo
é de gente vivo!
Globo.com/caipira/
Entendendo o texto
a.
Linguagem culta, utilizada em documentos oficiais e livros técnicos.
b. Linguagem coloquial regional, que reproduz a fala característica
do interior ou do "matuto".
c.
Gíria moderna utilizada por jovens em grandes cidades.
d.
Linguagem estrangeira traduzida incorretamente para o português.
02. Segundo o relato de
Seu Ico, por que a "assombração" apareceu durante a sua caçada de
veado?
a.
Porque ele estava caçando em uma propriedade que não era dele.
b.
Porque os cachorros dele começaram a latir muito alto e acordaram os bichos.
c.
Porque ele esqueceu de oferecer brasa para o pito do saci.
d. Porque ele saiu para caçar no primeiro dia da Quaresma, período
em que, segundo a crença popular, não se deve caçar.
03.
Sobre
o encontro com o Saci, Seu Ico afirma algo incomum para as lendas tradicionais.
O que ele viu de diferente?
a.
Ele viu o saci voando em cima de um pássaro gigante.
b. Ele viu uma família inteira de sacis, incluindo uma
"sacia" grávida e filhotes.
c.
Ele viu um saci que tinha duas pernas em vez de uma.
d.
Ele viu o saci se transformando em um lobisomem preto.
04. O personagem descreve
vários seres do folclore brasileiro. Qual das características abaixo ele
atribui ao Curupira?
a.
Um bichinho preto e jeitado que mora dentro do rio.
b.
Uma mula que solta fogo pelo pescoço e rincha alto.
c. Um bicho muito feio que possui os pés virados para trás.
d.
Um cachorro preto que some no mundão de Deus.
05. Ao final do texto, Seu
Ico revela qual é o seu verdadeiro medo. Qual é esse medo?
a.
Ele tem pavor de encontrar o Curupira sozinho na mata fechada. b. Ele tem medo
de que os sacis voltem para pedir mais brasa.
c. Ele confessa que tem muito mais medo de "gente viva" do
que das assombrações.
d.
Ele tem medo de pescar e encontrar o caboclo d'água no rio.
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