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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: O NÍVEL DE NOSSOS ALUNOS SERÁ O NÍVEL DE NOSSA SOCIEDADE - CASSILDO SOUZA - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: O nível de nossos alunos será o nível de nossa sociedade

               Cassildo Souza


        Fico a refletir a respeito dos alunos que estão sendo moldados na entrada do século XXI. Para tanto, lembro alguns fatores que poderiam servir de parâmetros a esta análise: hoje, o número de escolas existentes é infinitamente superior ao de há algumas décadas, a quantidade de profissionais com nível superior cresceu consideravelmente e cursos de capacitação foram criados para qualificar os professores. Além disso (com muitas dificuldades), houve avanços significativos na remuneração docente. Mas, honestamente, será que essas melhorias refletem-se na prática educativa? Nossos estudantes estão preparados a enfrentar o mundo? Acredito que, infelizmente, não.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQgA7iBmZsHKyUTO_K1aW7K0ahXhQlAZLLU58QfC1zDg8ac6zCbOBn7QDXWq3mpTOQaDyGogU-mRDiSwfcSjBe5qR8orBKO31cJ3oTpBYZks9aJ5EQX_lZ6BdKr8i26aBuuvIJVBFCgUf9uKT6ictiTyZRLBq7CwKjTZ8Fr1ntwVeRd5QhWXUpK3uswxI/s320/images.jpg


        Quem atua em sala de aula pode atestar com toda a autoridade que a base desses indivíduos, no geral, ainda é muito precária, especialmente no que tece à matemática e à língua, aspectos preponderantes para conhecimento. O nível de leitura e de escrita não tem sido um motivo de orgulho para as crianças do Brasil, que corriqueiramente ficam abaixo da média, se comparados aos outros países da América do Sul. A disciplina matemática não é bem-vinda por um inestimável número de estudantes que não veem a importância de certos conteúdos para o seu dia-a-dia. E se não percebem a relevância, provavelmente se interessam menos, aprendem menos.

        Não me atreveria, aqui, a ensaiar que motivos levam a essa incoerência. Adiante falarei sobre apenas um que considero fundamental. Mas, se acontecem esses fatos, o que podemos esperar desses alunos quando eles chegarem à universidade e, depois, quando saírem para o mercado de trabalho? Muitos são os casos em que o nível superior não corresponde à atuação profissional. E tudo por uma questão de base, pois aquilo que não se aprendeu nas instâncias inferiores do ensino não será milagrosamente absorvido em apenas 4 anos. O fato é que por essa má formação, temos professores que não sabem ler, advogados que não conhecem a lei, médicos que não descobrem doenças simples, jornalistas que não apuram os fatos e engenheiros cujas obras não se sustentam por muito tempo.

        Faço agora a referência que prometi no parágrafo anterior, acerca das razões que levam a um ensino precário. Vejo a falta de compromisso de certos profissionais da educação como a pior mazela que pode existir no processo educacional. Alguns deles se apoiam no fato de estarem no serviço público, não cumprindo suas obrigações e, por consequência, não atendendo às necessidades de seu público-alvo. Sem falar naqueles que concorrem ao cargo de professor e com pouquíssimo tempo recorrem a “padrinhos”, no intuito de não atuarem em sala de aula. Como não há uma cobrança rígida (nem interesse para que isso aconteça), ocorre uma reprodução perpétua como uma doença epidêmica e o resultado é catastrófico.

        Se queremos desenvolvimento, progresso, bem-estar para nós mesmos, precisamos, enquanto educadores, realizar um trabalho sério, não simplesmente para mostrarmos que somos “bonzinhos” e aparecermos como as referências da prática pedagógica ideal; mas para que amanhã não sejamos prejudicados em decorrência de uma sociedade mal instruída e sem conhecimento científico. Nossos descendentes dependerão daqueles que estamos ajudando a formar hoje. E se não o fizermos da maneira adequada seremos as próprias vítimas desse processo.

 

Entendendo o artigo:

01 – Quais avanços na área educacional o autor reconhece ter ocorrido nas últimas décadas?

      O autor destaca que o número de escolas aumentou significativamente, a quantidade de profissionais com ensino superior cresceu, foram criados cursos de capacitação docente e houve avanços (ainda que com dificuldades) na remuneração dos professores.

 02 – Qual é o diagnóstico do autor quanto ao preparo dos estudantes diante dos avanços citados?

      Apesar das melhorias estruturais, o autor avalia que o ensino não avançou na prática. Para ele, os alunos continuam despreparados e apresentam uma base muito precária, principalmente em Língua Portuguesa (leitura e escrita) e em Matemática.

03 – De acordo com o texto, por que muitos alunos demonstram falta de interesse pela disciplina de Matemática?

      Porque eles não conseguem perceber a relevância e a aplicação prática de certos conteúdos matemáticos em seu dia a dia. Sem enxergar essa importância, os estudantes se interessam menos e, consequentemente, aprendem menos.

04 – Que consequências a má formação na educação básica gera na atuação de profissionais formados no ensino superior?

      O autor aponta que deficiências da base não são corrigidas em quatro anos de faculdade, resultando em profissionais despreparados: professores que não sabem ler, advogados que desconhecem a lei, médicos incapazes de diagnosticar doenças simples, jornalistas que não apuram fatos e engenheiros que constroem obras sem sustentação.

 05 – Qual é a principal razão apontada pelo autor para a precariedade do ensino?

      A falta de compromisso de certos profissionais da educação. O autor critica aqueles que se apoiam na estabilidade do serviço público para não cumprir suas obrigações ou usam "padrinhos" políticos para se afastar da sala de aula, sem que haja uma cobrança rígida por parte do sistema.

06 – Por que o autor usa a metáfora de uma "doença epidêmica" para descrever a conduta de determinados educadores?

      Porque a falta de fiscalização e de rigor faz com que a irresponsabilidade e a negligência profissional se reproduzam perpetuamente entre os educadores, espalhando-se pelo sistema de ensino e gerando um resultado catastrófico para toda a formação escolar.

07 – Qual é o alerta final que o autor faz aos educadores sobre o impacto do seu trabalho no futuro?

      O autor adverte que um trabalho pedagógico sério não deve ser feito por vaidade, mas por necessidade. Se os educadores não formarem cidadãos bem instruídos e com conhecimento científico hoje, eles e seus descendentes serão as próprias vítimas de uma sociedade mal formada e sem progresso no futuro.

 

 

 

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