Artigo de Opinião: O nível de nossos alunos será o nível de nossa sociedade
Cassildo Souza
Fico a refletir a respeito dos
alunos que estão sendo moldados na entrada do século XXI. Para tanto, lembro
alguns fatores que poderiam servir de parâmetros a esta análise: hoje, o número
de escolas existentes é infinitamente superior ao de há algumas décadas, a
quantidade de profissionais com nível superior cresceu consideravelmente e
cursos de capacitação foram criados para qualificar os professores. Além disso
(com muitas dificuldades), houve avanços significativos na remuneração docente.
Mas, honestamente, será que essas melhorias refletem-se na prática educativa?
Nossos estudantes estão preparados a enfrentar o mundo? Acredito que,
infelizmente, não.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQgA7iBmZsHKyUTO_K1aW7K0ahXhQlAZLLU58QfC1zDg8ac6zCbOBn7QDXWq3mpTOQaDyGogU-mRDiSwfcSjBe5qR8orBKO31cJ3oTpBYZks9aJ5EQX_lZ6BdKr8i26aBuuvIJVBFCgUf9uKT6ictiTyZRLBq7CwKjTZ8Fr1ntwVeRd5QhWXUpK3uswxI/s320/images.jpg Quem
atua em sala de aula pode atestar com toda a autoridade que a base desses
indivíduos, no geral, ainda é muito precária, especialmente no que tece à
matemática e à língua, aspectos preponderantes para conhecimento. O nível de
leitura e de escrita não tem sido um motivo de orgulho para as crianças do
Brasil, que corriqueiramente ficam abaixo da média, se comparados aos outros
países da América do Sul. A disciplina matemática não é bem-vinda por um
inestimável número de estudantes que não veem a importância de certos conteúdos
para o seu dia-a-dia. E se não percebem a relevância, provavelmente se interessam
menos, aprendem menos.
Não
me atreveria, aqui, a ensaiar que motivos levam a essa incoerência. Adiante
falarei sobre apenas um que considero fundamental. Mas, se acontecem esses
fatos, o que podemos esperar desses alunos quando eles chegarem à universidade
e, depois, quando saírem para o mercado de trabalho? Muitos são os casos em que
o nível superior não corresponde à atuação profissional. E tudo por uma questão
de base, pois aquilo que não se aprendeu nas instâncias inferiores do ensino não
será milagrosamente absorvido em apenas 4 anos. O fato é que por essa má
formação, temos professores que não sabem ler, advogados que não conhecem a
lei, médicos que não descobrem doenças simples, jornalistas que não apuram os
fatos e engenheiros cujas obras não se sustentam por muito tempo.
Faço
agora a referência que prometi no parágrafo anterior, acerca das razões que
levam a um ensino precário. Vejo a falta de compromisso de certos profissionais
da educação como a pior mazela que pode existir no processo educacional. Alguns
deles se apoiam no fato de estarem no serviço público, não cumprindo suas
obrigações e, por consequência, não atendendo às necessidades de seu
público-alvo. Sem falar naqueles que concorrem ao cargo de professor e com
pouquíssimo tempo recorrem a “padrinhos”, no intuito de não atuarem em sala de
aula. Como não há uma cobrança rígida (nem interesse para que isso aconteça),
ocorre uma reprodução perpétua como uma doença epidêmica e o resultado é
catastrófico.
Se
queremos desenvolvimento, progresso, bem-estar para nós mesmos, precisamos,
enquanto educadores, realizar um trabalho sério, não simplesmente para
mostrarmos que somos “bonzinhos” e aparecermos como as referências da prática
pedagógica ideal; mas para que amanhã não sejamos prejudicados em decorrência
de uma sociedade mal instruída e sem conhecimento científico. Nossos
descendentes dependerão daqueles que estamos ajudando a formar hoje. E se não o
fizermos da maneira adequada seremos as próprias vítimas desse processo.
Entendendo o artigo:
01 – Quais avanços
na área educacional o autor reconhece ter ocorrido nas últimas décadas?
O autor destaca
que o número de escolas aumentou significativamente, a quantidade de
profissionais com ensino superior cresceu, foram criados cursos de capacitação
docente e houve avanços (ainda que com dificuldades) na remuneração dos
professores.
Apesar das melhorias estruturais, o autor avalia que o ensino não avançou na prática. Para ele, os alunos continuam despreparados e apresentam uma base muito precária, principalmente em Língua Portuguesa (leitura e escrita) e em Matemática.
03 – De acordo com o
texto, por que muitos alunos demonstram falta de interesse pela disciplina de
Matemática?
Porque eles não conseguem perceber a relevância e a aplicação prática de certos conteúdos matemáticos em seu dia a dia. Sem enxergar essa importância, os estudantes se interessam menos e, consequentemente, aprendem menos.
04 – Que
consequências a má formação na educação básica gera na atuação de profissionais
formados no ensino superior?
O autor aponta
que deficiências da base não são corrigidas em quatro anos de faculdade,
resultando em profissionais despreparados: professores que não sabem ler,
advogados que desconhecem a lei, médicos incapazes de diagnosticar doenças
simples, jornalistas que não apuram fatos e engenheiros que constroem obras sem
sustentação.
A falta de compromisso de certos profissionais da educação. O autor critica aqueles que se apoiam na estabilidade do serviço público para não cumprir suas obrigações ou usam "padrinhos" políticos para se afastar da sala de aula, sem que haja uma cobrança rígida por parte do sistema.
06 – Por que o autor
usa a metáfora de uma "doença epidêmica" para descrever a conduta de
determinados educadores?
Porque a falta de fiscalização e de rigor faz com que a irresponsabilidade e a negligência profissional se reproduzam perpetuamente entre os educadores, espalhando-se pelo sistema de ensino e gerando um resultado catastrófico para toda a formação escolar.
07 – Qual é o alerta
final que o autor faz aos educadores sobre o impacto do seu trabalho no futuro?
O autor adverte
que um trabalho pedagógico sério não deve ser feito por vaidade, mas por
necessidade. Se os educadores não formarem cidadãos bem instruídos e com
conhecimento científico hoje, eles e seus descendentes serão as próprias
vítimas de uma sociedade mal formada e sem progresso no futuro.
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