Textos: Dissertativos Argumentativos
Os
textos dissertativos argumentativos procuram emitir uma visão pessoal de
questões relevantes nos mais diversos campos: economia, política,
comportamento, cultura, psicologia, educação, saúde, ecologia etc. Pode-se
dizer que esses textos querem convencer os leitores, muitas vezes
contrapondo-se ao senso comum, isto é, àquilo que todo mundo repete sem
necessariamente analisar.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbS9ZSzlB0HD9_Tit1Kx2CnTVWgtuvw1Z85lf3wCjxf-cqG39Q0solPU4t_g1v9LlqspRFSfiXrrEHKXwD0LITu3UXXXmWbhHM5Ke2zE7zNb-kt09xDjnB0gtZHmWr9XSowDjZVTwXWJOzxbat9GPxgoF55SdWjkQtbzM98i1myZSc1N44usYbfNhpAbw/s320/images.jpg O
texto dissertativo deve ser bem estruturado e é por isso que se recomenda que a
redação siga, em linhas gerais, o esquema abaixo, dividido em três partes.
Introdução –
1º parágrafo: Apresentação do tema e da tese.
Desenvolvimento
(argumentação) – 2º ou 3º parágrafos centrais: comprovação da tese por
meio de comentários e análises sustentados por dados estatísticos, exemplos,
informações históricas, geográficas e científicas.
Conclusão –
último parágrafo: Finalização da discussão, de modo a sintetizar os aspectos
discutidos e reafirmar a tese. Dependendo do tema, é possível que na conclusão
se anunciem propostas de ação convenientes.
Entendendo o texto:
01 – É aconselhável empregar a 1ª pessoa do
singular?
Não. A dissertação procura convencer o leitor. Para isso, as
opiniões só valem se forem comprovadas, de modo que pareçam “universalmente”
válidas. Assim, não interessa tanto quem emite as opiniões, mas os
argumentos que é capaz de apresentar. Daí ser preferível não utilizar
o eu, mas uma linguagem mais impessoal.
02 – Pode-se empregar a 1ª pessoa do plural?
Sim. O emprego de nós se justifica quando se refere
a um conjunto adequado ao tema e suficientemente compreensível no
contexto: nós, pode se referir aos brasileiros, a toda a humanidade,
aos jovens. Não cai bem usar o nós para se referir a um grupo muito
restrito, específico, como “nós, que moramos na Zona Oeste da cidade”, a não
ser que esse grupo seja central para o tema da dissertação.
03 – A linguagem precisa ser formal?
Em termos. A linguagem da dissertação deve estar de
acordo com as normas mais importantes da gramática (grafia, acentuação,
pontuação, concordância, regência), de modo a não comprometer o entendimento do
leitor nem depor contra o texto (quem confia em um autor que erra
constantemente a grafia das palavras?). por outro lado, não é preciso exagerar:
é péssimo hábito usar palavras desconhecidas apenas porque soam difíceis,
empregar termos técnicos sem necessidade, adotar uma linguagem “barroca”, com
frases longas e cheias de inversões e intercalações. Tudo o que dificulta
inutilmente o entendimento do texto e parece simples enfeite deve ser evitado.
04 – Posso inventar dados e exemplos?
Não. Em hipótese nenhuma devem ser incluídos dados e exemplos
que não correspondam à realidade. A dissertação, como qualquer outro texto
opinativo argumentativo, não pode, sob pena de perder a credibilidade,
falsificar informações para comprovar um ponto de vista.
05 – É aceitável usar frases de terceiros?
Sim. A citação de filósofos, cientistas sociais, artistas,
psicólogos, médicos é uma ótima estratégia de convencimento, desde que inclua
no texto a voz de personalidades reconhecidamente autorizadas a opinar sobre o
assunto. Mas não exagere: não faça de sua dissertação uma simples colagem de
frases de outro, deixando de emitir sua opinião.
06 – Posso propor perguntas no texto?
Sim. Fazer perguntas pode ser uma boa estratégia tanto na
introdução quanto no desenvolvimento ou na conclusão. A resposta nem precisa
vir imediatamente na sequência, mas o texto deve dar pistas para que o leitor
consiga, ao final, chegar a uma resposta.
07 – É aceitável empregar linguagem metafórica?
Sim. Desde que o leitor consiga entender as metáforas e
outras figuras de linguagem empregadas na dissertação, é possível dar sabor à
linguagem dissertativa por meio da conotação. A ironia é igualmente uma arma
poderosa na crítica.
08 – Pode-se defender mais de uma opinião
simultaneamente?
Em termos. O texto dissertativo não pode ser incoerente.
Não se deve afirmar que existe um problema e depois chegar a uma conclusão
contrária. Mas é possível mostrar que, em certas circunstâncias, uma ideia
é verdadeira, enquanto em outras circunstâncias, ela deixa de o ser. Um
fato pode ser vantajoso num certo aspecto, mas representa uma
desvantagem em outros. Nesses casos, o importante é discutir quais
são essas circunstâncias e quais são esses aspectos.
09 – É aconselhável analisar o tema sob mais de
um ângulo?
Sim. É muito importante perceber que a maioria dos temas
permite análises distintas, dependendo da perspectiva que se adote. É
enriquecedor que a dissertação consiga — sem cair na contradição nem no simples
impasse — revelar a perspectiva dos diferentes envolvidos (médicos/pacientes;
governo/povo; jovens/pais; economistas/sindicalistas etc.) em relação ao tema
discutido.
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