Poema: Não Te Rendas!
Mario Benedetti
Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o voo.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRuCqKI5OCXRdBE852e0FAiA2dAqzD6W0VXj0c1qojJsDJzos3jphjCbI8uZ_JCGEFr7byJZowqdmvy7vBHC-Rbr6ThhMbQy1xGy1in7mdTZAWQY5Ukbk1-M_eYeUUmFkkwpVbDQT0vHZvYtXslD0QXW9KIAa8VNJkQqlWLU6PRNlTpxCCbkaiFknU4dY/s320/sddefault.jpgNão te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não
cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também
o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o
desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.
Não te rendas, por favor, não
cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo.
Poema publicado no Livro “Entre
los poetas míos” de Mario Benedetti.
Entendendo
o poema:
01
– Qual é o tema central do poema e que sentimento ele busca despertar no
leitor?
O tema central é
a resiliência e a persistência diante das adversidades da vida. O poema busca
despertar um sentimento de esperança e coragem, incentivando o leitor a não
desistir de seus sonhos e objetivos, independentemente das
"cicatrizes", do cansaço ou dos obstáculos temporários que possam
surgir no caminho.
02
– O que representam as metáforas do "frio que queima" e do "medo
que morde" no contexto da obra?
Essas metáforas
representam as dificuldades externas e internas que tentam paralisar o
indivíduo. O "frio que queima" simboliza as circunstâncias adversas
do ambiente ou da vida que causam dor, enquanto o "medo que morde"
refere-se à insegurança e à ansiedade que podem corroer a determinação de
alguém. O poema sugere que, embora esses sentimentos existam, eles não devem ser
motivos para interromper a jornada.
03
– Como o poema aborda a relação do indivíduo com o seu passado e as suas
falhas?
O autor aborda o
passado não como um fardo impeditivo, mas como algo que deve ser aceito para
que se possa seguir em frente. Ao dizer "vencer o tempo e retomar a
viagem", o poema enfatiza que as falhas e as feridas do ontem
("enterrar seus medos", "liberar o lastro") não definem o
futuro. A mensagem é de que cada novo dia oferece uma oportunidade de recomeço,
independentemente do que aconteceu anteriormente.
04
– No poema, por que o autor afirma que "a vida é tua e o desejo
também"?
Essa afirmação
reforça o conceito de autonomia e responsabilidade pessoal sobre a própria
felicidade. Ao dizer que a vida e o desejo pertencem ao indivíduo, o autor
destaca que o poder de mudar a realidade e de persistir em um sonho reside
dentro de cada um. É um chamado para o protagonismo, lembrando ao leitor que
ninguém mais pode viver ou desejar por ele.
05
– Qual é a importância da natureza e dos ciclos (como o fogo e o vinho) para a
mensagem final do poema?
O uso de
elementos como o "fogo na alma" e o "vinho e o cedro" serve
para ilustrar a vitalidade e a renovação. O fogo simboliza a paixão e a
motivação interna que deve ser mantida acesa. Já a referência ao vinho e ao
cedro remete à celebração da vida e à solidez. O poema conclui que a vida é um
ciclo de renovação constante ("porque cada dia é um novo começo"),
onde a esperança deve ser sempre cultivada.
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