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quinta-feira, 25 de junho de 2026

POEMA: DE QUANTAS GRAÇAS TINHA, A NATUREZA - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: De quantas graças tinha, a Natureza

            Luís de Camões

De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8H3oY2fC3Irg0i31MA5pkdvAWzKS6DCuKZTfOfQKIB-VXpZdUL2T76JySmZy0ojkWxMCRafaiGp_5Z3sqUHr6UHyH53YVz0caRyulHxoe2ys1XGYt94zbk8EwxA869jQXj1_xVTxxxm9tzHEXDxrNH-WJ4eYxbemuJ3KBxxJlpSfb1rG6cy_Z5IaI6gs/s320/contato-com-a-natureza-770x513-1.jpg



Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

Luís de Camões.

Entendendo o poema:

01 – Como Camões utiliza os elementos da natureza na primeira estrofe para introduzir a figura da mulher amada?

      O poeta personifica a Natureza, transformando-a em uma artista ou artesã que reúne todas as suas "graças" (virtudes e dons) para criar um "belo e riquíssimo tesouro". Esse tesouro é composto por quatro elementos cromáticos e materiais específicos: rubis, rosas, neve e ouro. A união dessas matérias-primas resulta em uma beleza que transcende o plano terreno, sendo classificada como "sublime e angélica".

02 – De que maneira as metáforas da segunda estrofe se distribuem para construir o retrato físico (o retrato da bela dama) da mulher?

      Camões distribui os elementos do "tesouro" da Natureza associando-os diretamente às características físicas da mulher, seguindo o padrão de beleza idealizado do Renascimento:

      Os rubis representam o vermelho vivo dos lábios (a boca).

      Os botões de rosa simbolizam o rubor e a vivacidade das bochechas (o belo rosto).

      O metal louro (ouro) representa a cor e o valor dos cabelos loiros.

      A neve simboliza a brancura, a pureza e a alvura do peito (colo).

03 – Qual é o paradoxo sentimental expresso pelo eu lírico no verso "No peito a neve em que a alma tenho acesa"?

      O paradoxo reside na oposição entre as sensações de frio (representado pela "neve" do peito da mulher) e calor (representado pela alma "acesa" de amor do eu lírico). Ao mesmo tempo em que o peito da amada evoca uma pureza fria, distante e intocável como a neve, essa mesma brancura é o elemento que inflama, incendeia e mantém aquecida a paixão ardente na alma do poeta.

04 – Por que os olhos da mulher recebem um destaque especial na terceira estrofe em relação às outras partes do corpo?

      Porque, segundo o eu lírico, foi nos olhos que a Natureza demonstrou o ápice do seu poder criativo ("Mas nos olhos mostrou quanto podia"). Em vez de usar pedras preciosas ou flores, a Natureza transformou os olhos da amada em um "sol". Esse sol emite uma luminosidade espiritual e física tão intensa que consegue superar a própria claridade do dia ("A luz mais clara que a do claro dia"), tornando-se o centro de poder da beleza dela.

05 – Como a última estrofe (o terceto final) sintetiza a estrutura do soneto e a intenção do poeta ao se dirigir à "Senhora"?

      O terceto final funciona como uma conclusão lógica do poema. Ao dirigir-se diretamente à mulher ("Enfim, Senhora..."), o eu lírico amarra todos os elementos citados anteriormente. Ele afirma que a "compostura" (a harmonia, a postura e a formação) dela representa o limite máximo do conhecimento da Natureza. O encerramento retoma e sintetiza as cinco grandes matérias que fundaram o poema — "ouro, rosas, rubis, neve e luz pura" —, consagrando a mulher como a obra-prima definitiva do universo.



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