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sexta-feira, 22 de maio de 2026

LENDA ÁRABE: NA'AUM, O HAMZA - COM GABARITO

 Lenda Árabe: Na’aum, o Hamza

        O sábio Na'aum fora cognominado "Hamza" pois, diante de qualquer sucesso da vida ele afirmava com inabalável confiança:

        "Isso também (Hamza) foi para melhor!"

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgn5S1Qauo2DJfYQvMttHpdG9BHNkIDHpI8RUYADnINvKMYYJG-igbODuFC-PMxiXApaq4DWDSsVocQE0qfMSLGbacFLXDH47sdNSkTc-wA4Xg6rWqbvA3PkvfRVoY_Ulvm0VsV1sxha9IsWivQfGekItm0PhfuyH2k-xslq8EybsVAFWjNxl2ArdKXxqE/s1600/HAMZA.png


        Nos últimos anos de sua vida, Na'aum ficou completamente cego; suas mãos tornaram-se paralíticas; em consequência da lepra perdeu os pés e seu corpo cobriu-se de feridas.

        Jazia estirado no fundo do cubículo imundo de uma casa em ruínas, com as pernas mergulhadas em uma bacia d'água, para que as formigas não o atacassem.

        Os discípulos iam visitá-lo e voltavam impressionados com o sofrimento do sábio.

        Certa vez um deles não se conteve e interrogou o enfermo:

        -- Se sois um homem tão justo, por que vos atormentam tantos males?
        -- Meu filho – retorquiu o paciente – o único culpado sou eu.

        E ante o incalculável espanto daqueles que o rodeavam, narrou o seguinte:

        -- Certa vez, ao chegar à casa de meus sogros, com três burros carregados, um de provisões, outro com água e o terceiro de frutos raros, encontrei andrajoso mendigo que implorou:

        "Patrão, daí-me alguma coisa para comer."

        Sem apiedar-me da triste situação em que se achava o infeliz, respondi desabridamente:

        "Espera que eu descarregue os burros!!!"

        Mas, antes que eu finalizasse a árdua tarefa, o homem, vencido pela fome, morreu.

        O crime por mim praticado revestira-se da maior perversidade, e, olhando para o corpo inanimado do mendicante, proferi, num ímpeto de remorso:

        "Percam a vista os meus olhos que não souberam ver e medir a tua miséria; fiquem paralíticas estas minhas mãos que não souberam levar a tempo o auxílio pedido; que sejam cortados os pés que não me conduziram pela estrada da caridade".

        E disse mais ainda:

        "Cubra-me a lepra o corpo todo".

        Um dos discípulos deplorou com sincero pesar:

        -- É bem triste, para nós, vermos agora nosso bom mestre nesse estado!
        Acudiu Na'aum, assumindo um ar de séria profundidade:

        -- Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!

 

Lenda árabe.

Entendendo a lenda:

 

01 – Por que o sábio Na'aum recebeu o cognome de "Hamza"?

      Ele recebeu esse apelido porque, diante de qualquer acontecimento ou sucesso da vida, ele demonstrava uma confiança inabalável e afirmava sempre a frase: "Isso também (Hamza) foi para melhor!".

02 – Qual era a gravíssima situação de saúde e moradia em que Na'aum se encontrava no final de sua vida?

      Na'aum estava completamente cego, com as mãos paralíticas, sem os pés (devido à lepra) e com o corpo coberto de feridas. Ele vivia deitado no fundo de um cubículo imundo em uma casa em ruínas, mantendo as pernas em uma bacia d'água para evitar o ataque das formigas.

03 – Segundo o próprio Na'aum, quem era o culpado por todos os males que o atormentavam?

      O próprio Na'aum se declarou o único culpado por seu sofrimento, explicando aos seus discípulos que a sua condição atual era o resultado de um grave erro cometido no passado.

04 – Qual foi o acontecimento do passado que gerou o remorso e a punição de Na'aum?

      No passado, um mendigo faminto implorou-lhe por comida. Na'aum foi insensível e respondeu rudemente que ele esperasse até que os três burros fossem descarregados. Antes que ele terminasse a tarefa, o homem morreu de fome, o que fez Na'aum rogar pragas contra o seu próprio corpo (olhos, mãos, pés e pele) em um forte ímpeto de remorso.

05 – Como Na'aum reagiu quando um discípulo lamentou vê-lo naquele estado lamentável? Qual o significado dessa resposta?

      Na'aum respondeu com seriedade: "Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!". Com isso, ele quis dizer que considerava seu sofrimento físico uma forma necessária de expiação e justiça pelo seu erro; para ele, seria pior não pagar pelo mal que causou ao mendigo.

 

 

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