Lenda Árabe: Na’aum, o Hamza
O
sábio Na'aum fora cognominado "Hamza" pois, diante de qualquer
sucesso da vida ele afirmava com inabalável confiança:
"Isso
também (Hamza) foi para melhor!"
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgn5S1Qauo2DJfYQvMttHpdG9BHNkIDHpI8RUYADnINvKMYYJG-igbODuFC-PMxiXApaq4DWDSsVocQE0qfMSLGbacFLXDH47sdNSkTc-wA4Xg6rWqbvA3PkvfRVoY_Ulvm0VsV1sxha9IsWivQfGekItm0PhfuyH2k-xslq8EybsVAFWjNxl2ArdKXxqE/s1600/HAMZA.png Nos
últimos anos de sua vida, Na'aum ficou completamente cego; suas mãos
tornaram-se paralíticas; em consequência da lepra perdeu os pés e seu corpo
cobriu-se de feridas.
Jazia
estirado no fundo do cubículo imundo de uma casa em ruínas, com as pernas
mergulhadas em uma bacia d'água, para que as formigas não o atacassem.
Os
discípulos iam visitá-lo e voltavam impressionados com o sofrimento do sábio.
Certa
vez um deles não se conteve e interrogou o enfermo:
--
Se sois um homem tão justo, por que vos atormentam tantos males?
-- Meu filho – retorquiu o
paciente – o único culpado sou eu.
E
ante o incalculável espanto daqueles que o rodeavam, narrou o seguinte:
--
Certa vez, ao chegar à casa de meus sogros, com três burros carregados, um de
provisões, outro com água e o terceiro de frutos raros, encontrei andrajoso
mendigo que implorou:
"Patrão,
daí-me alguma coisa para comer."
Sem
apiedar-me da triste situação em que se achava o infeliz, respondi
desabridamente:
"Espera
que eu descarregue os burros!!!"
Mas,
antes que eu finalizasse a árdua tarefa, o homem, vencido pela fome, morreu.
O
crime por mim praticado revestira-se da maior perversidade, e, olhando para o
corpo inanimado do mendicante, proferi, num ímpeto de remorso:
"Percam
a vista os meus olhos que não souberam ver e medir a tua miséria; fiquem
paralíticas estas minhas mãos que não souberam levar a tempo o auxílio pedido;
que sejam cortados os pés que não me conduziram pela estrada da caridade".
E
disse mais ainda:
"Cubra-me
a lepra o corpo todo".
Um
dos discípulos deplorou com sincero pesar:
--
É bem triste, para nós, vermos agora nosso bom mestre nesse estado!
Acudiu Na'aum, assumindo um ar de
séria profundidade:
--
Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!
Lenda árabe.
Entendendo a lenda:
01 – Por que o sábio Na'aum recebeu o cognome
de "Hamza"?
Ele recebeu esse apelido porque, diante de qualquer
acontecimento ou sucesso da vida, ele demonstrava uma confiança inabalável e
afirmava sempre a frase: "Isso também (Hamza) foi para melhor!".
02 – Qual era a gravíssima situação de saúde e
moradia em que Na'aum se encontrava no final de sua vida?
Na'aum estava completamente cego, com as mãos paralíticas,
sem os pés (devido à lepra) e com o corpo coberto de feridas. Ele vivia deitado
no fundo de um cubículo imundo em uma casa em ruínas, mantendo as pernas em uma
bacia d'água para evitar o ataque das formigas.
03 – Segundo o próprio Na'aum, quem era o
culpado por todos os males que o atormentavam?
O próprio Na'aum se declarou o único culpado por seu
sofrimento, explicando aos seus discípulos que a sua condição atual era o
resultado de um grave erro cometido no passado.
04 – Qual foi o acontecimento do passado que
gerou o remorso e a punição de Na'aum?
No passado, um mendigo faminto implorou-lhe por comida.
Na'aum foi insensível e respondeu rudemente que ele esperasse até que os três
burros fossem descarregados. Antes que ele terminasse a tarefa, o homem morreu
de fome, o que fez Na'aum rogar pragas contra o seu próprio corpo (olhos, mãos,
pés e pele) em um forte ímpeto de remorso.
05 – Como Na'aum reagiu quando um discípulo
lamentou vê-lo naquele estado lamentável? Qual o significado dessa resposta?
Na'aum respondeu com seriedade: "Triste de mim, se vós
não me pudésseis ver assim!". Com isso, ele quis dizer que considerava seu
sofrimento físico uma forma necessária de expiação e justiça pelo seu erro;
para ele, seria pior não pagar pelo mal que causou ao mendigo.
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