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quarta-feira, 6 de maio de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: A RAIVA DE SER ÍNDIO - FRAGMENTO - DANIEL MUNDURUKU - COM GABARITO

 Artigo de opinião: A RAIVA DE SER ÍNDIO – Fragmento

        Por Daniel Munduruku

        A gente não pede para nascer, apenas nasce. Alguns nascem ricos, outros pobres; outros brancos, outros negros; uns nascem num país onde faz muito frio, outros em terras quentes; enfim, nós não temos muita opção mesmo. O fato é que, quando a gente percebe, já nasceu. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEjOWdQyQCmU06vPCfzxHC4_EdwNrED0JeRLYC1DNQxFH26k_azznE5DoeVYqDyKOLcLX2CXMi86HUZ7f5VaYWIkf8jrwiEdghUuLo0jfIGRg4mHGv2LoZdgzbheTrk3hllcMdTf-_XqHh4xY6JDFUoLqegBk9bVVGwuOhraCjogMnppWDu3Ewi_5t0po/s1600/INDIO.jpg


        Eu nasci índio. Mas não nasci como nascem todos os índios. Não nasci numa aldeia, rodeada de mato por todo lado. com um rio onde as pessoas pescam peixe quase com a mão de tão límpida que é a água. Não nasci dentro de uma Uk’a Munduruku. Eu nasci na cidade. Acho que dentro de um hospital. E nasci numa cidade onde a maioria das pessoas se parece com índio: Belém do Pará.

        [...]

        Só não gostava de uma coisa: que me chamassem de índio. Não. Tudo menos isso! Para meu desespero, nasci com cara de índio, cabelo de índio (apesar de um pouco loiro), tamanho de índio. Quando entrei na escola primária, então, foi um deus-nos-acuda. Todo mundo vivia dizendo: “Olha o índio que chegou à nossa escola”.

        Meus primeiros colegas logo, logo se aproveitaram pra me colocar o apelido de Aritana. Não precisa me dizer que isso me deixou fulo da vida e foi um dos principais motivos das brigas nessa fase da minha história – e não foram poucas brigas, não. Ao contrário, briguei muito e, é claro, apanhei muito também.

        E por que eu não gostava que em chamassem de índio? Por causa das ideias e imagens que essa palavra trazia. Chamar alguém de índio era classificá-lo como atrasado, selvagem, preguiçoso.  

        E, como já contei, eu era uma pessoa trabalhadora que que ajudava meus pais e meus irmãos e isso era uma honra para mim. Mas era uma honra que ninguém levava em consideração. Para meus colegas só contava a aparência… e não o que eu era e fazia.

        [...]

Daniel Munduruku. A RAIVA DE SER ÍNDIO. 15.01.2017. https://www.xapuri.info/cultura/daniel-munduruku-indio/.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 302.

Entendendo o artigo:

01 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma que não nasceu "como nascem todos os índios"?

      Daniel Munduruku nasceu na cidade (provavelmente em um hospital em Belém do Pará), e não em uma aldeia cercada de mato, rios límpidos ou dentro de uma Uk’a (casa) tradicional Munduruku. Ele destaca essa diferença para mostrar que a identidade indígena não está presa apenas ao cenário da floresta.

02 – Qual era o sentimento do autor em relação à palavra "índio" durante sua infância?

      Ele sentia rejeição e "desespero" ao ser chamado de índio. Embora reconhecesse suas características físicas (rosto, cabelo e tamanho), ele não aceitava o rótulo e chegava a brigar frequentemente com os colegas por causa disso.

03 – Por que o apelido "Aritana" causava tanta irritação no autor?

      O apelido era usado pelos colegas de escola como uma forma de reforçar o estereótipo e a exclusão. Para o autor, ser chamado por nomes que remetiam à sua origem indígena era o principal motivo de suas brigas, pois ele sentia que sua identidade estava sendo usada contra ele.

04 – Segundo o texto, quais eram os preconceitos carregados pela palavra "índio" naquela época?

      O autor não gostava do termo porque, na visão da sociedade da época, chamar alguém de índio era o mesmo que classificá-lo como atrasado, selvagem e preguiçoso. Eram imagens negativas que não correspondiam à realidade de quem ele era.

05 – Qual era o conflito entre a "aparência" do autor e o seu "comportamento" perante os colegas?

      Enquanto os colegas o julgavam apenas pela aparência indígena (associando-a à preguiça), o autor se considerava uma pessoa muito trabalhadora que ajudava seus pais e irmãos. Ele sentia que sua honra e suas ações não eram levadas em consideração, pois o preconceito dos colegas era baseado apenas em estereótipos visuais.

 

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