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segunda-feira, 23 de março de 2026

CARTA AO LEITOR: 221 VEZES POR DIA - FRAGMENTO - ALEXANDRE VERSIGNASSI - COM GABARITO

 Carta ao leitor: 221 vezes por dia – Fragmento

        Esse é o número de vezes que as pessoas tiram o celular do bolso, em média. Há algo de errado aí.

Por Alexandre Versignassi

        O século 21 começou no dia 9 de janeiro de 2007. Foi quando Steve Jobs apresentou o iPhone num evento da Apple. No momento em que o fundador da companhia abriu a homepage do New York Times no aparelhinho, começava uma nova era: a do computador realmente pessoal. A internet se libertava dos PCs, e chegava aos bolsos de todo mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipOgOBodxAZYPROZzZKskps3qYolHoWEOJjOBEF2vX5HnK9rzYTIOY_6FzTYuOctOP3aex8_ZTtqi2v1PNV3joT9dE8iwKc_xcpGEGSZfpeyyCiH72qiEABoTyK452HVtZ0F4G3AztkxfSbQUXez_wiT9lcaTRuxLDES0x17Q8BzI1tfEd1U2c1nRwlDc/s320/2007.jpg


        Bom, não exatamente de todo mundo. O iPhone de 2007 era uma Lamborghini, algo feito para uma minoria endinheirada. Mas isso começaria a mudar no final de 2008, com a chegada do Android. Agora qualquer empresa que quisesse copiar a Apple e fabricar seu próprio smartphone podia usar o sistema operacional do Google, o que diminuía violentamente o custo de desenvolvimento. Isso permitiu a criação de smartphones que cabiam mesmo no bolso – agora, no sentido financeiro da expressão.

        Ainda era tudo mato: não existia WhatsApp nem Instagram. [...]. Mas a revolução já tinha começado. Em 2008, foram vendidos 139 milhões de smartphones no mundo. Em 2011, com mais dispositivos baratos à disposição, 472 milhões. De 2014 em diante, mais de um bilhão. Resultado: 4 bilhões de pessoas têm smartphone hoje. Isso dá 51,9% da população mundial – ou 80% da população adulta (entre 15 e 65 anos). Os aparelhos só não tendem mesmo à onipresença em bolsões de pobreza extrema – África subsaariana, Bangladesh, Paquistão.

        O normal, inclusive, é que boa parte dos países tenham tantos smartphones quanto habitantes. É o caso do Brasil. De acordo com a Anatel, há 183,5 milhões de linhas 3G e 4G ativas no Brasil. Mesmo descontando quem possui mais de um chip no aparelho, então, temos quase um smartphone por pessoa por aqui, mesmo amargando o 70o PIB per capita do planeta.

        Falar como o smartphone mudou o mundo é chover no molhado. Ele criou as empresas mais valiosas do planeta (Apple, Google, Facebook, Huawei), revolucionou o dia a dia (Uber, Rappi), e mudou a política (uma presença forte nas redes sociais vale mais do que toneladas de horário eleitoral na TV, como as eleições de 2018 provaram). Mas não é “só” isso.

        Os smartphones passaram a moldar a realidade não apenas pela eficiência absurda, mas também porque viciam. Não é à toa que cada pessoa tira o celular do bolso ou da bolsa 221 vezes por dia, em média. Como dizem o editor Bruno Garattoni e o repórter Eduardo Szklarz na reportagem principal desta edição: “Por trás dos ícones coloridos, as gigantes da tecnologia fazem um esforço consciente para nos manipular, usando recursos da psicologia, da neurologia e até dos cassinos”. É isso. Entenda melhor aqui, se o seu celular deixar.

VERSIGNASSI, Alexandre. Carta ao leitor: 221 vezes por dia. Superinteressante. Edição 408, out. 2019. Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/alexandre-versignassi/carta-ao-leitor-221-vezes-por-dia/. Acesso em: 15 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 206-207.

Entendendo a carta:

01 – Por que o autor afirma que o século 21 começou apenas em 9 de janeiro de 2007?

      O autor utiliza essa data como um marco simbólico porque foi o dia em que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. Para ele, esse evento deu início à era do "computador realmente pessoal", quando a internet deixou de estar presa aos PCs e chegou aos bolsos das pessoas.

02 – Qual foi o papel do sistema operacional Android na popularização dos smartphones?

      O Android, lançado no final de 2008, permitiu que outras empresas fabricassem seus próprios aparelhos usando o sistema do Google. Isso reduziu drasticamente os custos de desenvolvimento, criando smartphones que "cabiam no bolso" no sentido financeiro, ou seja, tornaram-se acessíveis para a maioria das pessoas, não apenas para uma minoria rica.

03 – Como o texto descreve a evolução do mercado de smartphones em números entre 2008 e os dias atuais?

      O texto mostra um crescimento explosivo: em 2008 foram vendidos 139 milhões de aparelhos; em 2011, esse número saltou para 472 milhões; e de 2014 em diante, as vendas ultrapassaram 1 bilhão por ano. Hoje, cerca de 4 bilhões de pessoas possuem o aparelho, o que representa 80% da população adulta mundial.

04 – O que o autor destaca sobre a realidade do uso de smartphones no Brasil?

      O autor aponta uma contradição: embora o Brasil ocupe apenas a 70ª posição no ranking de PIB per capita (riqueza por pessoa), o país possui quase um smartphone por habitante, com cerca de 183,5 milhões de linhas ativas de 3G e 4G.

05 – Além da tecnologia, quais mudanças o smartphone provocou na sociedade de acordo com o fragmento?

      O smartphone criou as empresas mais valiosas do mundo (como Apple e Google), revolucionou o cotidiano com aplicativos de serviço (Uber, Rappi) e alterou a dinâmica política, tornando as redes sociais mais influentes do que o horário eleitoral gratuito na TV.

06 – Qual é a crítica central feita no final do texto sobre o comportamento dos usuários?

      A crítica é que os smartphones passaram a "moldar a realidade" através do vício. O autor menciona que as gigantes da tecnologia utilizam conscientemente recursos da psicologia, neurologia e até de cassinos para manipular os usuários, fazendo com que chequem o aparelho, em média, 221 vezes por dia.

07 – Qual o sentido da expressão "se o seu celular deixar" na última frase do texto?

      A frase é uma ironia que reforça a ideia de vício e falta de controle. O autor sugere que o leitor pode estar tão dependente do aparelho e das notificações que talvez nem consiga terminar de ler ou entender a reportagem sem ser interrompido pelo dispositivo.

 

 

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