Notícia: OS LIMITES DA CIÊNCIA
A clonagem completa de uma ovelha,
obtida por cientistas de Edimburgo (Escócia), é um avanço de grande importância
que não deve, em princípio, causar grandes preocupações. Em tese, a ciência já
a previa. Entretanto, em termos éticos, implica inúmeros e seriíssimos
questionamentos. Teoricamente, trata-se de um experimento que poderá, no
futuro, ser aplicado de forma semelhante em seres humanos.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhuZByLYjSjotd9n9syOVEHMMuZ4V5nHM959ZGY-yIdJWLPMZKkS8ctK-7ZO_O5S3iIEYMXgmJDaJ3na_u-Q_pBatBlHvIPgFGjMGNLTVPOzsTjh5tm9dXjl0hoZD_oAfe93hs64V5yyp0mD4Vh2jx21QrGH-p_1Ques13E2GDJKzQUXPCqutCAaKSMGOs/s1600/DOLY.jpg Para que servirá esse ser humano?
Poderá ser um banco de órgãos, para ter uma vida normal? Poderá ser objeto de
patente por alguma empresa? Essas e muitas outras perguntas relativas à
bioética que poderiam ser levadas em consideração merecem ser analisadas em
profundidade.
A revolução na física ocorrida por
volta dos anos 20, apesar de toda sua grandiosidade epistemológica, não
suscitou maiores problemas éticos. A relatividade do tempo ou a mecânica
quântica jamais se relacionaram à vida concreta das pessoas – pelo menos até
onde elas saibam; no campo da engenharia genética, porém, a situação muda de
figura.
Limites acerca da manipulação genética,
bebês de proveta, patenteamento de seres vivos e outros temas polêmicos que em
potencial podem influir na vida de qualquer um estão hoje na ordem do dia em
todo o mundo. Alguns países já chegaram a adotar legislações sobre o tema.
O fato é que a ciência proporciona, a
cada dia, mais técnicas ou tecnologias que influem na vida do cidadão. É
igualmente certo que o avanço nas pesquisas está ocorrendo num ritmo muito mais
acelerado do que a reflexão ética sobre a mesma.
Não se pode, é claro, sob pena de
incorrer em velhos erros do passado, conter a pesquisa científica. Mas existe
uma diferença entre pesquisa e aplicação de novas técnicas. É justamente sobre
isso que a sociedade deve discutir, em busca de uma definição sobre o que é ou
não aceitável. Infelizmente, esse debate está, tanto no Brasil como na maior
parte do mundo, ainda muito atrasado.
Reproduzido do jornal Folha de S. Paulo de 25/2/1997, (Seção Opinião),
fornecido pela Agência Folha.
Fonte: Português –
Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite;
Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 572.
Entendendo a notícia:
01
– Qual o principal avanço científico mencionado no texto e quais as
preocupações éticas que ele levanta?
O principal
avanço é a clonagem de uma ovelha, realizada por cientistas em Edimburgo. As
preocupações éticas giram em torno da possibilidade de aplicação da clonagem em
seres humanos, levantando questões sobre a finalidade desses clones e seus
direitos.
02
– Por que a clonagem levanta mais questões éticas do que os avanços na física,
como a teoria da relatividade?
Porque a clonagem
e a engenharia genética têm implicações diretas na vida humana, enquanto os
avanços na física, até então, não haviam se relacionado diretamente com a vida
cotidiana das pessoas.
03
– Quais são alguns dos temas polêmicos relacionados à manipulação genética
mencionados no texto?
O texto menciona
limites na manipulação genética, bebês de proveta e patenteamento de seres
vivos.
04
– Qual a relação entre o avanço da pesquisa científica e a reflexão ética, de
acordo com o texto?
O texto aponta
que o avanço das pesquisas científicas está ocorrendo em um ritmo muito mais
rápido do que a reflexão ética sobre essas pesquisas.
05
– O que o autor sugere como forma de lidar com os dilemas éticos da ciência?
O autor sugere
que a sociedade deve promover um debate para definir o que é ou não aceitável
em termos de aplicação de novas técnicas científicas.
06
– Qual a posição do autor em relação à contenção da pesquisa científica?
O autor defende que a
pesquisa científica não deve ser contida, para evitar erros do passado, mas que
é necessário discutir e definir limites para a aplicação de novas técnicas.
07
– Como o autor avalia o debate sobre os limites da ciência no Brasil e no
mundo?
O autor considera
que o debate está muito atrasado, tanto no Brasil quanto na maior parte do
mundo.
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