Conto: Os tambores de Juriti
Juriti, ave mágica e protetora do povo
Juruna, mandou avisar:
— Esses três tambores contêm toda
a água necessária para a sobrevivência da aldeia. Recomendo não tocar neles.
Acontece que alertas desse tipo acabam
despertando a curiosidade dos que se consideram mais destemidos. Foi esse o
caso dos filhos do cacique…
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiI__fDBNcjKcnd7GQsJVsnaNyfaBVLaQZpBinp7yyozYQsOGu4KsC2UGlqUObjTsBUQyns9fsEw0QBxJCaIFIMOgEp9J5JHqHua4hiIZ4lgzJiYrJ9DfGB7eqA-SHpjPfimv-LSuW8SF7mm0jYvxJqy_6ijSjbVC1qIaJccNoa6JFsSAjQ9qrTRoG8y7o/s320/tambores.jpg A seca era forte naquele ano e a aldeia
estava sofrendo sem água, com plantas e bichos morrendo. Não havia a comida e a
abundância com as quais os indígenas estavam acostumados.
Foi então que os três meninos,
considerados muito espertos, trataram de pensar numa solução para o problema. E
não demorou para que um deles lembrasse:
— A aldeia tem água! Está bem aqui, nesses
três tambores.
Os outros dois irmãos deram pra trás:
— Não podemos tocar nos tambores de
Juriti, nosso pai não permitirá.
Além do respeito ao pai, corria na
aldeia uma história bem impressionante envolvendo os tambores. Parece que,
dentro deles, havia um peixe gigante, monstruoso, comedor de gente. Portanto,
quem abrisse os tambores, soltaria a fera aquática.
Mas menino quando é danado ninguém
segura. Assim, o mais novo dos três filhos do cacique, o que teve a lembrança,
decidiu quebrar os tambores e, na presença dos irmãos, foi engolido pelo peixe
gigante!
Os outros dois, aterrorizados, correram
o quanto puderam, deixando rastros e aberturas no chão da mata. Foram em
disparada contar ao pai o que tinha acontecido.
Desesperado, o cacique, clamou aos céus
e solicitou a presença de Juriti para implorar por seu filho engolido pelo
peixe-fera.
Juriti, soberana e sábia, analisou o
caso e disse:
— Veja o rastro que seus filhos
deixaram no caminho. Veja a água que agora corre no chão.
Das aberturas no solo, surgiram os rios
Xingu e Amazonas, além de belas cachoeiras e córregos.
E, sim, Juriti perdoou a desobediência
do menino caçula que teve boa intenção. Restaurou a vida dele, e a aldeia
Juruna nunca mais passou sede.
Habilidade EF67LP28.
Os tambores de Juriti. Ciência Hoje da Crianças, Rio de Janeiro, nº 375,
abr. 2026. Disponível em: https://www.chc.org.br/artigo/os-tambores-de-juriti/. Acesso em: 26 maio 2026.
Fonte: Mapas de
Progresso. Língua Portuguesa: 7º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º
bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 11-12.
Entendendo o conto:
01 –
Quem é Juriti na narrativa, qual alerta ela fez à aldeia do povo Juruna e o que
esse aviso acabou despertando nos jovens?
Juriti é uma ave
mágica e protetora do povo Juruna. Ela alertou que ninguém deveria tocar nos
três tambores, pois eles guardavam toda a água necessária para a sobrevivência
da aldeia. No entanto, esse alerta acabou despertando a curiosidade e o desejo
de desobediência nos jovens mais destemidos.
02
– Qual era a situação vivida pela aldeia que motivou o filho caçula do cacique
a pensar em abrir os tambores de Juriti?
A aldeia
enfrentava uma seca muito forte, com plantas e animais morrendo por falta de
água. Diante do sofrimento do povo e da ausência de comida e recursos, o menino
mais novo quis encontrar uma solução para a sede de todos, lembrando-se de que
havia água guardada nos tambores.
03
– Além do respeito à ordem do pai (o cacique), qual era o outro motivo de
receio citado na história que fazia os indígenas hesitarem em mexer nos
tambores?
Havia um rumor
assustador na aldeia de que dentro dos tambores habitava um peixe gigante,
monstruoso e comedor de gente, de modo que quem tentasse abrir os recipientes
acabaria soltando essa perigosa fera aquática.
04
– Qual foi a consequência imediata enfrentada pelo filho caçula ao quebrar os
tambores e qual foi a reação de seus dois irmãos?
Assim que o
caçula quebrou os tambores, ele foi engolido pelo peixe gigante. Aterrorizados
com a cena, os outros dois irmãos saíram correndo pela mata em disparada para
contar o ocorrido ao pai.
05
– Como os elementos da natureza (rios, córregos e cachoeiras) surgiram na
história a partir do momento em que os irmãos fugiram? Quais rios específicos
foram criados?
Enquanto os
irmãos fugiam aterrorizados, deixavam rastros e aberturas no solo da mata por
onde a água contida nos tambores começou a escorrer e transbordar. Dessas
fendas surgiram belas cachoeiras, córregos e, em especial, os rios Xingu e
Amazonas.
06
– Qual foi a atitude do cacique diante do desaparecimento de seu filho e como a
ave Juriti agiu em relação à desobediência do menino?
Desesperado, o
cacique clamou aos céus e pediu a presença de Juriti para implorar pela vida do
filho engolido. Juriti, sendo sábia e soberana, analisou a situação e perdoou o
menino caçula porque sua desobediência foi motivada por uma boa intenção
(salvar a aldeia da seca). Ela restaurou a vida do garoto e garantiu que a
aldeia nunca mais passasse sede.
07
– De acordo com os aspectos culturais dos mitos indígenas, qual é a principal
função explicativa (etiológica) dessa narrativa para a tradição do povo Juruna?
A narrativa
cumpre uma função etiológica, ou seja, serve para explicar de forma mítica e
poética a origem geográfica de importantes recursos naturais do Brasil — como a
formação dos rios Xingu e Amazonas e das cachoeiras —, além de reforçar valores
culturais como o respeito à natureza, o cuidado coletivo e a intenção por trás
dos atos.
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