Poema: Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso
Todos os bens que a vida me negou,
E todo um roseiral, a abrir, glorioso
Que a solitária estrada perfumou.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7U1htMIRTYcjDYKMSf7qO1RsZtFA7Q42STppWOXsmG7f677l57KXpBzvP-fpkHweyGzVbkcLi8AZxH2jwvUo3ywuHQxA6Y6vlvXHy-FXLZH78wcedJpBnKGxx_pSlv2tJ9wnEoBOfUBaFJB4RA7cdZZXAlCHRjsf86mFVtCucM6HF_hYQuLP4cBIUrBk/s320/MAOS.jpgNeste meio-dia límpido, radioso,
Sinto o teu coração que Deus talhou
Num pedaço de bronze luminoso,
Como um berço onde a vida me pousou.
O silêncio, ao redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
Lembra um cálix de tulipa entreaberta...
Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
Dorme em teus braços másculos de vândalo...
Florbela
Espanca, in "A Mensageira das Violetas".
Entendendo o poema:
01 – Qual é a
transformação que a presença do "tu" (a pessoa amada) opera na vida
do eu lírico, segundo a primeira estrofe?
A presença do
"tu" representa uma compensação e uma cura. O eu lírico afirma que o
amado traz "todos os bens que a vida me negou". A solidão e a
escassez do passado (a "solitária estrada") são substituídas pela
abundância e beleza, representadas pela metáfora do "roseiral a abrir,
glorioso" que perfuma o caminho que antes era ermo.
02 – Como a figura
do amado é divinizada ou enobrecida na segunda estrofe?
O amado é
descrito como alguém cuja essência é de origem divina e material nobre. O eu
lírico diz que seu coração foi "talhado por Deus" em um "pedaço
de bronze luminoso". O uso do bronze sugere força e durabilidade, enquanto
a luz e a intervenção divina elevam a figura do amado a um patamar sagrado e
protetor, servindo de "berço" para o eu lírico.
03 – Identifique e
explique uma metáfora presente na terceira estrofe.
Uma metáfora
central é a comparação do silêncio a uma "asa quieta". Esta imagem
sugere uma sensação de paz, proteção e imobilidade sagrada que envolve o casal.
Além disso, a boca do amado é comparada a um "cálix de tulipa
entreaberta", o que evoca delicadeza, desejo e beleza natural, reforçando
a sensualidade contida no encontro.
04 – Quais sentidos
são estimulados na última estrofe e qual o efeito dessa escolha?
A última estrofe
foca intensamente no olfato ("cheira a ervas amargas", "cheira a
sândalo") e no tato ("corpo ondulante", "braços
másculos"). Esse apelo sensorial cria uma atmosfera de intimidade física e
exotismo. O uso de cheiros contrastantes (amargo vs. sândalo) sugere uma paixão
complexa, que mistura o rústico com o refinado.
05 – Como o eu
lírico se posiciona em relação ao amado nos versos finais do poema?
O eu lírico se
coloca em uma posição de entrega e vulnerabilidade mística. Ao se descrever
como um "corpo ondulante de sereia" que dorme nos braços de um
"vândalo", utiliza figuras arquetípicas: a sereia (sedutora, mas aqui
submissa ao sono/paz) e o vândalo (figura de força bruta, conquistadora). Isso
indica uma entrega total a um amor que é, ao mesmo tempo, protetor e
avassalador.
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