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domingo, 28 de junho de 2026

POEMA: TRAZES-ME EM TUAS MÃOS DE VITORIOSO - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso

 Trazes-me em tuas mãos de vitorioso

Todos os bens que a vida me negou,
E todo um roseiral, a abrir, glorioso
Que a solitária estrada perfumou.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7U1htMIRTYcjDYKMSf7qO1RsZtFA7Q42STppWOXsmG7f677l57KXpBzvP-fpkHweyGzVbkcLi8AZxH2jwvUo3ywuHQxA6Y6vlvXHy-FXLZH78wcedJpBnKGxx_pSlv2tJ9wnEoBOfUBaFJB4RA7cdZZXAlCHRjsf86mFVtCucM6HF_hYQuLP4cBIUrBk/s320/MAOS.jpg



Neste meio-dia límpido, radioso,
Sinto o teu coração que Deus talhou
Num pedaço de bronze luminoso,
Como um berço onde a vida me pousou.

O silêncio, ao redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
Lembra um cálix de tulipa entreaberta...

Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
Dorme em teus braços másculos de vândalo...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

 

01 – Qual é a transformação que a presença do "tu" (a pessoa amada) opera na vida do eu lírico, segundo a primeira estrofe?

      A presença do "tu" representa uma compensação e uma cura. O eu lírico afirma que o amado traz "todos os bens que a vida me negou". A solidão e a escassez do passado (a "solitária estrada") são substituídas pela abundância e beleza, representadas pela metáfora do "roseiral a abrir, glorioso" que perfuma o caminho que antes era ermo.

 

02 – Como a figura do amado é divinizada ou enobrecida na segunda estrofe?

      O amado é descrito como alguém cuja essência é de origem divina e material nobre. O eu lírico diz que seu coração foi "talhado por Deus" em um "pedaço de bronze luminoso". O uso do bronze sugere força e durabilidade, enquanto a luz e a intervenção divina elevam a figura do amado a um patamar sagrado e protetor, servindo de "berço" para o eu lírico.

 

03 – Identifique e explique uma metáfora presente na terceira estrofe.

      Uma metáfora central é a comparação do silêncio a uma "asa quieta". Esta imagem sugere uma sensação de paz, proteção e imobilidade sagrada que envolve o casal. Além disso, a boca do amado é comparada a um "cálix de tulipa entreaberta", o que evoca delicadeza, desejo e beleza natural, reforçando a sensualidade contida no encontro.

 

04 – Quais sentidos são estimulados na última estrofe e qual o efeito dessa escolha?

      A última estrofe foca intensamente no olfato ("cheira a ervas amargas", "cheira a sândalo") e no tato ("corpo ondulante", "braços másculos"). Esse apelo sensorial cria uma atmosfera de intimidade física e exotismo. O uso de cheiros contrastantes (amargo vs. sândalo) sugere uma paixão complexa, que mistura o rústico com o refinado.

 

05 – Como o eu lírico se posiciona em relação ao amado nos versos finais do poema?

      O eu lírico se coloca em uma posição de entrega e vulnerabilidade mística. Ao se descrever como um "corpo ondulante de sereia" que dorme nos braços de um "vândalo", utiliza figuras arquetípicas: a sereia (sedutora, mas aqui submissa ao sono/paz) e o vândalo (figura de força bruta, conquistadora). Isso indica uma entrega total a um amor que é, ao mesmo tempo, protetor e avassalador.

 

 

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