Fábula: A Navalha
Era
uma vez uma navalha de excelente qualidade, que morava numa barbearia. Um dia
em que a loja estava vazia ela resolveu dar uma voltinha. Soltou-se do cabo e
saiu para apreciar o lindo dia de primavera.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdsYOUb4CjdMVGO7U6jiGD17ASgtwy4EG8eVMnugg8Y0QGv1zzFrQ1IxrQiAi9vAAv8Umuv_4e-T43HfDY6Wgc5wDZCvLUJvc3fKmsIszm0hIYedrd0rUM9m5XKrO6UcJTU4AYWYPGQw1fhCb2T4t1u760_WFwlc8vMZgQgXie3cONudtzdfZRebBPpYo/s320/91nzV5BbErL._AC_UF1000,1000_QL80_.jpg Quando
a navalha viu o reflexo do Sol em si mesma, ficou surpresa e encantada. A
lâmina de aço lançava uma luz tão brilhante que, subitamente, com excessivo
orgulho, a navalha disse a si mesma:
-- E eu vou voltar para aquela loja de onde acabei de fugir? É claro que
não! Os deuses não podem querer que uma beleza tal como a minha seja desonrada
desta maneira. Seria loucura ficar aqui cortando as barbas ensaboadas daqueles
camponeses, repetindo sem cessar a mesma tarefa mecânica! Será que minha beleza
foi realmente feita para um trabalho desses? Certamente não! Vou esconder-me
num local secreto e passar o resto da vida em paz.
E
em seguida foi procura um esconderijo onde ninguém a visse.
Passaram-se
meses. Um dia a navalha teve vontade de respirar ar fresco. Saiu cautelosamente
de seu refúgio e olhou para si mesma. Ai, que acontecera? A lâmina estava
horrorosa, parecendo uma serra enferrujada, e não refletia mais a luz do Sol.
A
navalha ficou muito arrependida pelo que havia feito, e lamentou amargamente a
irreparável perda, dizendo:
-- Oh, como teria sido melhor se eu tivesse conservado em forma a minha
linda lâmina, cortando barbas ensaboadas! Minha superfície teria permanecido
brilhante e minha borda afiada! Agora aqui estou eu, toda corroída e coberta de
uma horrível ferrugem! E não há nada a fazer!
Moral:
O triste fim da navalha é o mesmo que sucede às pessoas inteligentes que
preferem ser preguiçosas a usar seus talentos. Essas pessoas, assim como a
navalha, perdem o brilho e a parta afiada de seu intelecto, sendo logo
corroídas pela ferrugem da ignorância.
Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo
Da Vinci (Século XV).
Entendendo a fábula:
01 – O que motivou a navalha a fugir da
barbearia e abandonar o seu trabalho cotidiano?
A navalha foi motivada pelo excessivo orgulho e pela vaidade. Ao ver o reflexo do Sol em sua lâmina de aço e notar como ela brilhava, ela se julgou bela e superior demais para realizar o trabalho mecânico e repetitivo de cortar as barbas dos camponeses. Ela considerou que aquela função desonrava a sua beleza e preferiu se esconder para viver em paz.
02 – De que maneira a passagem do tempo no
esconderijo afetou a integridade física da navalha? Descreva o que ela
encontrou ao sair do refúgio.
O tempo passado no ócio e no isolamento destruiu as qualidades físicas da navalha. Ao sair do refúgio para respirar ar fresco após meses escondida, ela percebeu que sua lâmina estava horrorosa, parecida com uma serra enferrujada, e que já não refletia mais a luz do Sol, perdendo completamente o seu brilho e o seu corte original.
03 – Após perceber o seu novo estado, qual foi
o arrependimento manifestado pela navalha? O que ela concluiu sobre a sua
antiga rotina de trabalho?
A navalha lamentou amargamente ter fugido e percebeu que o trabalho na barbearia, embora repetitivo, era justamente o que a mantinha em boa forma. Ela concluiu que se tivesse continuado a cortar as barbas ensaboadas, sua superfície teria permanecido brilhante e sua borda afiada, em vez de terminar totalmente corroída pela ferrugem.
04 – A moral do texto estabelece uma analogia
(comparação). Como essa relação é feita entre os elementos da história e as
características humanas?
A fábula associa as qualidades físicas da navalha (o brilho e o corte afiado) à inteligência e aos talentos humanos. Da mesma forma, a "ferrugem" que corrói o metal é comparada à ignorância que consome a mente das pessoas que escolhem a preguiça e o ócio em vez de exercitarem e utilizarem suas capacidades no dia a dia.
05 – A partir da leitura da fábula, qual é a
principal lição que o autor deseja transmitir sobre a utilidade e a prática do
nosso intelecto e talentos?
A principal lição é a de que o talento e a inteligência não
têm valor se forem mantidos isolados ou inativos; eles precisam ser praticados
constantemente. Assim como o ferro precisa do trabalho para não enferrujar, as
habilidades humanas exigem esforço e utilidade contínua, caso contrário,
definham e são destruídas pelo comodismo e pela falta de uso.
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