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segunda-feira, 18 de maio de 2026

TEXTO INFORMATIVO: O MUNDO DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - FRAGMENTO - LEILA R. IANNPNE E ROBERTO A. IANNONE - COM GABARITO

 Texto informativo: O mundo das histórias em quadrinhos – Fragmento

         Leila R. Iannone e Roberto A. Iannone

        Como surgiram as histórias em quadrinhos

        Desde o tempo das cavernas, o homem tem utilizado desenhos e outros elementos gráficos para retratar suas aventuras e misticismos. No entanto pode-se dizer que as precursoras das histórias em quadrinhos surgiram apenas no século passado (séc. XIX). Não apresentavam, ainda, a forma atual, mas estavam muito próximas. As ilustrações predominavam, e os textos, quando existiam, eram diminutos e apareciam sob cada quadro ou desenho. Em geral vinham em forma de prosa ou verso e o diálogo praticamente inexistia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijv3jZkMt1klzVZTW6GQf8_Q7e1XvbPsQZR1pWY3e3Zlk3o2XqDDYsdINNUxfNoN-XI7M2DdVcKynRV-9x9475rgfwIdpDiHz3RsyLXL0Di9sWTlJDTDiF941n2z2_zGh0-BfXl4Eh1CFTOOLbiM96LstFoMGDV2DB07t6fP3-Kg45a8u30LIruhMcNEI/s320/comic-cuts-considerada-a-primeira-revista-em-quadrinhos-1526567831799_v2_580x731.jpg


        No princípio, os desenhistas desenvolveram as ilustrações para retratar cenas ou contar histórias. Muitas vezes, tudo era mostrado em um único desenho. Em outras, as ilustrações apareciam em sequência, sem legendas. [...]

        As primeiras histórias e personagens

        Em 1897, Rudolph Dirks, jovem desenhista norte-americano da equipe do Morning Journal, apresentou um modelo de expressão cômico-gráfica que ficaria definitivamente conhecido como história em quadrinhos. [...]

        William Hearst [proprietário do jornal] incumbiu Dirks de desenvolver uma nova história, baseada nos personagens Max e Moritz, do desenhista alemão Wilhelm Busch. O exemplar inaugural da série chamou-se Acb, Those Katzenjammer Kids! (Ah! Esses garotos Katzenjammer), com os personagens Hans e Fritz. Driks [...] foi o primeiro autor a apresentar uma história em quadrinhos completa. [...].

        Pouco a pouco, as aventuras de Hans e Fritz consolidaram-se como a série pioneira dos comics. Depois, por volta de 1899, o autor já havia elaborado tantos desenhos da dupla que foi possível aponta-la também como a primeira série permanente do gênero.

        Uma curiosidade: a palavra alemã Katze significa “gato” e Katzenjamme, além de “miado”, é uma expressão de gíria que corresponde a “ressaca”. Sem dúvida, uma referência às consequências das travessuras dos garotos.

        Os personagens principais, os irmãos Hans (o loiro) e Fritz, viviam em guerra com o pai adotivo, o Capitão, e com o inspetor escolar, o Coronel. Todos eram alvos das traquinagens dos garotos, inclusive sua mãe, Dona Chucruts. [...] Essas histórias são publicadas até hoje, com o título de The Captain and The Kids (Os sobrinhos do Capitão). [...]

        Os elementos

        Os quadrinhos – Em sua estrutura usual, a história em quadrinhos compõe-se de quadros que combinam dois meios de comunicação distintos: desenho e texto. seu veículo principal é o próprio quadrinho, também denominado “vinheta”, criado para transmitir uma mensagem. Juntando-se dois ou mais quadros para contar uma história, obtém-se uma sequência. É ela que sugere o movimento ou, em outras palavras, a ação da história.

        Seu formato mais comum é o retângulo, delimitado por linhas retas (moldura). Esse traço que envolve o quadrinho não tem presença obrigatória, pois, na maioria dos casos, sua única função consiste na divisão (separação) das vinhetas. [...]

        A imagem – A imagem é o desenho contido no interior do quadrinho. Geralmente, apresenta uma cena (cenário) que traduz a mensagem do autor para seus leitores. Além da cena, o artista insere os textos (balões e letreiros), compondo o quadro (enquadramento). A análise de uma tira ou sequência permite constatar que o desenhista procura organizar a distribuição das imagens e orientar a leitura.

        O enquadramento – O artista “arranja” o cenário, isto é, o espaço interior do quadrinho para que as figuras associadas ao texto transmitam a sensação de movimento (ação) e facilitem a compreensão da mensagem. Isso significa que o desenhista procura a forma que melhor traduza sua intenção, ou seja, busca uma organização que permite o desenvolvimento da história.

        De modo semelhante ao que se faz no cinema ou na televisão, nos quadrinhos o desenho também pode ser apresentado em planos e ângulos de visão diferentes.

        Os tipos de plano variam de acordo com o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos personagens. Parece que o desenhista usa uma lente zoom, como no cinema ou na fotografia, para aproximar uma figura ou mostrar uma visão geral da cena. Por exemplo, para enfatizar a reação de um determinado personagem, ele pode desenhar apenas o rosto do herói, ocupando todo o quadrinho com essa imagem. [...]

        Os personagens – O personagem principal é o herói e os demais são os coadjuvantes (figuras secundárias ou auxiliares). Algumas histórias trazem mais de um personagem principal, como as estreladas pela dupla Batman e Robin, pela turminha da Mônica, pelo Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho e tantos outros casos.

        Sempre que se fala em personagem, surge a questão da tipologia, ou seja, dos traços característicos dos personagens. Segundo a tradição (do cinema, do desenho animado e dos contos de fadas), o mocinho não pode ser confundido com o bandido, nem a heroína com a megera. Desse modo, o artista recorre, mais uma vez, ao traço do desenho para diferenciá-los. Na terminologia dos quadrinhos, o que distingue os diferentes personagens é o chamado “tipo”. Assim, de acordo com o traço e as feições utilizados pelo desenhista, o personagem assume um tipo, independentemente da sua descrição. Pode-se encontrar o tipo tímido, o galante, o espertalhão e assim por diante.

        Outra característica refere-se ao “modelo” que determinados personagens representam para o leitor. Assim, certos personagens acabam virando símbolos. No linguajar técnico, esse símbolo ou padrão é denominado “arquétipo” e, nesses casos, o tipo por si só determina as características do personagem. Tarzan exemplifica o modelo clássico de herói: é esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente,  justo. Já o bandido tem como marcas registradas o mau-caráter e a fisionomia abrutalhada.

        Nas histórias infantis, os personagens bons se diferenciam dos maus pela expressão e também pela figura. As aventuras de Disney estão repletas de bons exemplos. Como ele utiliza a imagem de bichos, procura transferir as características de determinado animal para o personagem. Assim, Tico e Teco são dois inocentes esquilos, preocupados basicamente com a estocagem de nozes nos troncos ocos das árvores. Já o Lobão, que é um vilão, passa todo o seu tempo perseguindo os pobres porquinhos. [...]

        Nada acontece por acidente nos comics. A rigor, eles não têm movimento, som e dimensão: essas sensações são apenas sugeridas e nisso residem o desafio e a arte do desenhista. No cinema ou diante da televisão, o público é o espectador. Já os quadrinhos exigem maior envolvimento do leitor, que precisa interpretar e co-participar da ação, como se houvesse uma interação com o artista.

Leila R. Iannone e Roberto A Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 146-150.

Entendendo o texto:

01 – De acordo com o texto, quando surgiram as primeiras precursoras das histórias em quadrinhos e qual era a sua principal característica gráfica?

      As precursoras surgiram no século XIX (século passado). Elas se caracterizavam pelo predomínio de ilustrações, com textos diminutos que apareciam sob cada quadro ou desenho (geralmente em prosa ou verso), e o diálogo praticamente inexistia.

02 – Quem foi o desenhista norte-americano que apresentou, em 1897, o modelo de expressão cômico-gráfica definitivamente conhecido como história em quadrinhos?

      O jovem desenhista foi Rudolph Dirks, membro da equipe do jornal Morning Journal.

03 – Em quais personagens de um desenhista alemão Rudolph Dirks se baseou para criar a série pioneira "Ah! Esses garotos Katzenjammer"?

      Dirks baseou-se nos personagens Max e Moritz, criados pelo desenhista alemão Wilhelm Busch.

04 – O que é uma "vinheta" dentro da estrutura usual das histórias em quadrinhos e qual é a função da sequência de quadros?

      A vinheta é o próprio quadrinho, veículo principal criado para transmitir uma mensagem combinando desenho e texto. A junção de dois ou mais quadros forma uma sequência, que tem a função de sugerir o movimento ou a ação da história.

05 – Como o texto explica a variação dos tipos de plano no enquadramento e qual recurso tecnológico é comparado a essa técnica?

      Os tipos de plano variam de acordo com o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos personagens. O texto compara essa técnica ao uso de uma lente zoom do cinema ou da fotografia, utilizada para aproximar uma figura (como o rosto do herói para enfatizar uma reação) ou mostrar uma visão geral da cena.

06 – O que é um "arquétipo" no contexto dos personagens de quadrinhos, segundo os autores, e qual exemplo é citado para ilustrar o modelo clássico de herói?

      O arquétipo é um símbolo ou padrão no qual o tipo, por si só, determina as características marcantes do personagem. O exemplo citado é Tarzan, que representa o modelo clássico de herói: esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente, justo.

07 – Por que os quadrinhos exigem maior envolvimento do leitor em comparação com o cinema ou a televisão?

      Porque os quadrinhos não possuem movimento, som e dimensão reais; essas sensações são apenas sugeridas pelo desenhista. Assim, enquanto na TV o público é um mero espectador, nos quadrinhos o leitor precisa interpretar e co-participar da ação, interagindo diretamente com a arte.

 

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