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quinta-feira, 16 de abril de 2026

PARÁBOLA: A CHALEIRA - COM GABARITO

 Parábola: A Chaleira

 

Era uma vez uma chaleira muito vaidosa, que se orgulhava da sua porcelana, de seu bico enorme e de sua asa. Tinha o bico para a frente e a asa para trás, e gostava que todos tivessem isso em conta. Mas nunca falava da sua tampa, já rachada e enegrecida., porque ninguém gosta de falar de seus defeitos. Já bastava que os outros falassem deles!... Sem dúvida que a xícara, a manteigueira e o açucareiro, e todo o serviço de chá, falavam muito mais da rachadura da tampa que dá artística asa e do formoso bico. Bem o sabia a chaleira.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhI2i9x6KrZ3AQOAfZDwMW02U9SphkMWYlimxzY_YBPe3sr_5dTuymv7e8kXLg-PhtRgHUXJsWEkLWjWE5GrSQD290RmUM0wJThmpUzgudbnhU_SKYgl0IYlY3o-W2NoyWY0xF-voX3v5KqQ2wgec_lCNl6mBb2lb0j8jTz4EZJZkVqZLmCP7otM95zD8k/s320/CHALEIRA.jpg


- Já sei o que pensam! - dizia para si mesma. Mas conheço os meus defeitos e admito-os. Nisso consiste a minha modéstia. Defeitos... toda a gente tem, mas, qualidades, também alguém terá que as ter!... As xícaras têm asa, o açucareiro tem tampa. Eu, ao menos, tenho as duas coisas e, além disso, o bico, que é algo com que eles jamais poderão sonhar. Sou a rainha do serviço de chá. É verdade que a manteigueira e o açucareiro contribuem para o sabor. Mas eu presido à mesa e reparto bênçãos à humanidade sedenta. Dentro de mim, as folhas chinesas misturam-se na água fervente e insípida.
Assim pensava a chaleira nos despreocupados dias da sua juventude, quando era manejada por uma mão cuidadosa. Mas a mão primorosa entorpeceu e, um belo dia, a chaleira caiu. Quebrou-se o bico e também a asa. Da tampa, nem valia a pena falar: já havia provocado suficientes desgostos! A Chaleira jazia no chão sem sentidos, enquanto a água a ferver se escapava. Foi um golpe terrível, mas o pior é que todos se riram dela e não da mão trôpega que a havia jogado no chão sem complacências.
- Nunca o esquecerei! - dizia a chaleira quando narrava a sua vida. Chamaram-me inútil, jogaram-me num canto e, no dia seguinte, fui dada a uma mulher que pedia esmola. Desci ao mundo dos pobres, tão inútil por dentro como por fora, e, sem dúvida, ali começou para mim uma nova vida. Uma pessoa começa por ser uma coisa e depois converte-se noutra inteiramente diferente. Encheram-me de terra, o que, para uma chaleira, é a mesma coisa que enterrá-la. Mas na terra colocaram uma semente. Nem sei bem quem a plantou. Só sei que me deram. Foi, talvez, uma compensação pelas folhas chinesas e pela água a ferver; pela asa e pelo bico quebrados. E a semente germinou e converteu-se numa formosa flor. Até me esqueci de mim própria perante tão brande beleza. Ditoso o que se esquece de si para pensar nos outros! A flor não me agradeceu nem se preocupou comigo. Para ela iam a admiração e os elogios de todos. Se eu própria me sentia tão contente com ela, como não poderiam admirá-la os outros?... Um dia alguém se lembrou que a flor merecia um vaso melhor. Quebraram-me ao meio (ai como doeu!) e transplantaram a flor para outro vaso, enquanto eu fui jogada no quintal onde não sou mais que uns velhos cacos de porcelana. Mas conservo esta recordação e ninguém poderá arrancá-la de mim.

Entendendo o texto

01. No início da história, qual era o principal motivo de orgulho da chaleira e qual era o seu "ponto fraco" que ela tentava ignorar?

a) ela se orgulhava de sua tampa brilhante e ignorava o bico curto. b) ela se orgulhava de sua porcelana, bico e asa, mas evitava falar da tampa rachada e enegrecida.

c) ela se orgulhava da água fervente e ignorava a opinião das xícaras.

d) ela se orgulhava de ser útil aos pobres e ignorava sua beleza antiga.

02. O que aconteceu com a chaleira que mudou drasticamente o seu destino na casa onde vivia?

a) ela foi trocada por um serviço de chá mais moderno.

b) ela parou de conseguir aquecer a água para as folhas chinesas. c) uma mão trôpega a deixou cair, quebrando seu bico e sua asa.

d) as xícaras convenceram a dona da casa de que a chaleira era feia.

03. Como a chaleira descreve a sua transição para a "vida de pobre" e qual foi o novo propósito que recebeu?

a) ela foi consertada e voltou a servir chá para uma família humilde. b) ela foi jogada no lixo e esqueceu completamente o seu passado. c) ela foi dada a uma mulher que pedia esmolas e foi preenchida com terra para abrigar uma semente.

d) ela tornou-se um objeto de decoração luxuoso em uma nova casa.

04. Qual sentimento a chaleira desenvolveu ao ver a flor crescer dentro dela, mesmo sem receber agradecimentos?

a) ressentimento por a flor receber todos os elogios que antes eram dela.

b) felicidade e desprendimento, entendendo que é ditoso quem se esquece de si para pensar nos outros.

c) tristeza por saber que seria substituída por um vaso melhor em breve.

d) orgulho egoísta, pois a flor só era bonita por causa da porcelana da chaleira.

05. Qual é a situação final da chaleira e o que ela guarda de mais valioso ao fim de sua trajetória?

a) ela foi restaurada e voltou a ser a rainha do serviço de chá.

b) ela virou pó e desapareceu completamente, sem deixar vestígios. c) ela tornou-se um vaso permanente para a flor que tanto amava. d) ela foi reduzida a cacos de porcelana no quintal, mas conservou a recordação da beleza que ajudou a criar.

 


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