LENDA: A BRUXA E OS DOIS LADRÕES
Dois ladrões lembraram-se, certa noite, de assaltar
a casa de uma mulher que vivia sozinha e que, ao que lhes constava, era pessoa
de grandes teres.
Julgando-a a dormir, os ladrões subiram sorrateiramente a um janelo e entraram
na casa, onde vasculharam tudo o que puderam à procura de coisa que valesse a
pena roubar. A dada altura, porque o barulho que faziam já era muito e a dona
da casa não dava qualquer sinal, os ladrões aperceberam-se de que, afinal, não
se encontrava lá mais ninguém. Podiam, por isso, roubar à vontade.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjz0Vg8RkvmBT1Iic0UNoS0um4tBM-0HECH-WD9h1Tm85lZMGmORpnHpi-02E3XGAHUdeYHwuGHNB4D9cqtTync2fB04Fv3BZgfrX2v7NgkG9cOpODYCB1b3EkoiB-p2X5sMQJazeZxyDmgKZKv1PPLbcRvri_3EzCxP6WvQBgFKpz19OWXWK7uvGntM8A/s320/bruxa.png - Onde teria ela ido a estas horas? — perguntaram um para o outro.
Nisto, um deles, ao remexer por baixo do escano, junto à chaminé, encontrou uma estranha taça, com um líquido meio amarelado, que tanto podia ser azeite como podia ser mel, ou coisa parecida. E logo desconfiaram que a mulher era uma bruxa, e que, àquela hora, teria ido embogar-se a qualquer lado. A explicação estava naquela taça que tinha o óleo com que ela se untava antes de partir.
Mas a curiosidade tentou-os. Os dois ladrões resolveram untar-se também para verem o efeito, e, mal acabaram de o fazer, voaram ambos pela chaminé, indo pousar ao cimo da torre da igreja, de onde não puderam descer. Na manhã seguinte, quando as pessoas saíam de casa para o trabalho, deram pela presença dos dois homens empoleirados no campanário e todas desataram em grandes gargalhadas.
- Tirem-nos daqui! Tirem-nos daqui! — gritavam eles.
- E como diabo é que vós fostes aí parar? — perguntavam as pessoas, ao mesmo tempo que procuravam uma escada comprida para os tirarem dali.
Eles, no entanto, não deram qualquer explicação. Se o fizessem teriam de confessar que haviam estado a roubar uma casa na aldeia. E, assim, nem eles acusaram a mulher como bruxa, nem esta os acusou a eles como ladrões.
Local:
Vinhais, Bragança
PARAFITA, Alexandre, O Maravilhoso Popular - Lendas, contos, mitos,
Lisboa, Plátano Editora, 2000
Entendendo o texto
01.Qual foi a
motivação inicial dos dois homens para entrarem na casa da mulher durante a noite?
a) Eles pretendiam assaltar a residência,
acreditando que ela possuía muitas riquezas.
b) Eles queriam confirmar se a mulher era realmente
uma bruxa.
c) Eles buscavam abrigo contra o frio e precisavam
de comida.
d) Eles estavam à procura de uma taça mágica que
pertencia à aldeia.
02. A partir de qual
momento os ladrões perceberam que a dona da casa poderia ser uma bruxa?
a) Assim que entraram na casa e viram a mulher
voando pela chaminé.
b) Quando notaram que a casa estava protegida por
feitiços de proteção.
c) Ao encontrarem uma taça com um líquido
estranho e perceberem a ausência da mulher àquela hora.
d) Quando ouviram vozes vindas do campanário da
igreja de Vinhais.
03. O que causou a ida
repentina dos ladrões para o topo da torre da igreja?
a) O susto que levaram ao verem a dona da casa
retornar.
b) A tentativa de fuga pela chaminé após ouvirem as
pessoas da aldeia.
c) Um castigo aplicado pela bruxa assim que ela os
encontrou roubando.
d) O efeito do líquido amarelado que
passaram no corpo por curiosidade.
04. Por que os ladrões
se recusaram a explicar às pessoas como foram parar no campanário?
a) Porque haviam perdido a voz devido ao feitiço da
taça.
b) Porque tinham medo de que a bruxa os
transformasse em animais.
c) Porque, se explicassem, teriam de admitir
que entraram na casa para roubar.
d) Porque ninguém na aldeia acreditaria em
histórias sobre poções e voos.
05. Qual é o desfecho
da relação entre os ladrões e a dona da casa ao final da história?
a) A mulher foi denunciada pela aldeia e os ladrões
foram presos pelo roubo.
b) Houve um "acordo de
silêncio" implícito: ninguém denunciou ninguém para não revelar seus
próprios segredos.
c) Os ladrões prometeram nunca mais roubar e
tornaram-se ajudantes da mulher.
d) A mulher usou sua magia para fazer com que todos
na aldeia esquecessem o ocorrido.
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