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sábado, 14 de março de 2026

POEMA: SER E SABER - LÊDO IVO - COM GABARITO

 POEMA:  Ser e saber

                    Lêdo Ivo

 

Vi o vento soprar

e a noite descer.

Ouvi o grilo saltar

na grama estremecida.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWHipofHw4uqY5n0Qc59WeLMxOqs_UeLKhHaZPDN28Y_Tat-7sJkuqoQQ9-_1r7bMDVSqhzytnoJhbrajQ8q8XcLq1zPlZSs-IcKxvTvrArbxTvUN0zKlKmx-qjvuzUr4oMrkbEqarDVcyZiNwCxt3p9qLIsNSF9wx5fz10OKWJqXtEq8r9q8YsFRhrIk/s320/VENTO.jpg

Pisei a água

mais bela que a terra.

Vi a flor abrir-se

como se abrem as conchas.

 

O dia e a noite se uniram

para ungir-me.

O enlace de luz e sombra

cingiu os meus sonhos.

 

Vi a formiga esconder-se

na ranhura da pedra.

Assim se escondem os homens

entre as palavras.

 

A beleza do mundo me sustenta.

É o formoso pão matinal

que a mão mais humilde deposita

na mesa que separa.

 

Jamais serei um estrangeiro.

Não temo nenhum exílio.

Cada palavra minha

é uma pátria secreta.

 

Sou tudo o que é partilha

o trovão a claridade

os lábios do mundo

todas as estrelas que passam.

 

Só conheço a origem:

a água negra que lambe a terra

e os goiamuns à espreita

entre as raízes do mangue.

 

Só sei o que não aprendi:

o vento que sopra

a chuva que cai

e o amor.

 

(IVO, Lêdo.  Crepúsculo civil)

 

Entendendo o texto

 

01. Sobre o foco narrativo e a construção do eu lírico no poema, é correto afirmar que:

a. O poema possui um narrador observador que descreve as ações de um terceiro personagem.

b. O eu lírico se manifesta em primeira pessoa, revelando uma integração profunda entre o sujeito e os elementos da natureza.

c. O foco narrativo é em terceira pessoa, distanciando os sentimentos do autor dos fenômenos naturais descritos.

d. O eu lírico apresenta-se como um estrangeiro que não consegue compreender a beleza do mundo ao seu redor.

 

02. Na quarta estrofe, o eu lírico estabelece uma comparação entre o comportamento da formiga e o dos homens. Qual é o sentido dessa analogia?

a. A ideia de que os homens são trabalhadores e organizados como as formigas.

b. A sugestão de que as palavras, para os homens, servem como um refúgio ou um esconderijo, assim como a pedra para a formiga. c. A afirmação de que a natureza é hostil tanto para os insetos quanto para os seres humanos.

d. A crítica à falta de comunicação entre as pessoas, que vivem isoladas em pedras.

03. No verso "É o formoso pão matinal", o eu lírico refere-se à "beleza do mundo". Que figura de linguagem predomina nessa construção?

a. Personificação, pois atribui características humanas ao pão.

b. Metáfora, pois estabelece uma relação de identidade direta entre a beleza do mundo e o alimento (pão) que sustenta o ser.

c. Hipérbole, pois exagera a importância da alimentação na vida do poeta.

d. Eufemismo, pois tenta suavizar uma situação de fome ou pobreza.

 

04. Na sexta estrofe, o eu lírico afirma: "Cada palavra minha / é uma pátria secreta". Considerando o contexto do poema, essa "pátria" representa:

a. O desejo do autor de se mudar para um país estrangeiro e viver no exílio.

b. O sentimento de pertencimento e identidade que o eu lírico encontra na própria linguagem e na poesia.

c. Uma crítica política aos governos que censuravam as palavras na época da publicação.

d. A dificuldade de aprender novas línguas em um mundo globalizado.

05. Os versos "a água negra que lambe a terra" e "os lábios do mundo" apresentam qual figura de linguagem?

a. Metonímia, pois troca a parte pelo todo.

b. Antítese, pois apresenta ideias contrárias como "claro" e "escuro".

c. Personificação (Prosopopeia), pois atribui ações e órgãos humanos (lamber, lábios) a elementos inanimados da natureza.

d. Ironia, pois o autor diz o oposto do que realmente pensa sobre o mangue.

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