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segunda-feira, 15 de junho de 2026

POEMA: AO DESCONCERTO DO MUNDO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos; 
E pera mais me espantar, 
Os maus vi sempre nadar 
Em mar de contentamentos. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0nFMIMnt8EGCz5QZSmO8hKbqfhhWFmcBLfcT7RdyUQSg5snFayhPWT933VVoRm-qH9eReiuDyEjVxmrTdwE2e87CAEhTO9ceUEwgVyvkL7iuY7ePgshE6_O0Mr-CDEj_zERwFmSWODvtPxz9WcvOvWNlqs4F7aHOqrOmYVXsP6sVf9Z4JagT5zUg79ow/s320/MUNDO.jpg


Cuidando alcançar assim 
O bem tão mal ordenado, 
Fui mau, mas fui castigado. 
Assim que, só pera mim, 
Anda o Mundo concertado.

 

Camões, Luís de. In: SALGADO JÚNIOR, Antônio (Org.). Luís de Camões: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.475-476.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesses versos, o eu lírico compara o destino das pessoas no mundo. A que conclusão ele chegou?

      O eu lírico chega à conclusão de que o mundo é injusto e invertido: as pessoas boas sofrem grandes tormentos, enquanto as pessoas más vivem em um "mar de contentamentos", ou seja, são felizes e bem-sucedidas. Há uma clara percepção de injustiça moral na distribuição da felicidade e do sofrimento.

 

02 – Como a vida do eu lírico foi afetada por essa visão?

      Ao ver que os maus se davam bem, o eu lírico tentou ser mau também, na esperança de alcançar a felicidade ("o bem tão mal ordenado"). No entanto, sua tentativa falhou: ele acabou sendo castigado por suas más ações, não conseguindo obter o mesmo sucesso que os outros maus obtinham.

 

03 – O que significa o título, tendo em vista os dois últimos versos?

      O título "Ao desconcerto do mundo" refere-se à falta de lógica, ordem ou justiça no funcionamento da vida.

      Contudo, nos dois últimos versos ("Assim que, só pera mim, / Anda o Mundo concertado"), há uma ironia dolorosa: o mundo só funciona de forma "concertada" (organizada, justa) para castigar especificamente o eu lírico. Ou seja, a regra geral do mundo é o desconcerto (os maus vencem), mas para ele, o mundo aplica a regra do concerto (o mal é punido), o que o deixa em eterna desvantagem.

04 – Releis estes versos: “Os bons vi sempre passar.../” “Os maus vi sempre nadar...”. Qual é o processo de formação das palavras destacadas? Justifique sua resposta.

      O processo é a derivação imprópria (também chamada de conversão).

      Justificativa: As palavras "bons" e "maus" são originalmente adjetivos. No contexto desses versos, precedidas pelos artigos "Os", elas mudaram de classe gramatical e passaram a funcionar como substantivos (equivalendo a "as pessoas boas" e "as pessoas más"), sem sofrer nenhuma alteração na sua forma original.

 

05 – Transcreva do poema palavras que se formam por derivação prefixal e derivação sufixal.

      Derivação prefixal: Desconcerto (prefixo des- + concerto).

      Derivação sufixal: Contentamentos (substantivo contentamento + sufixo -mento, derivado do verbo contentar) ou Castigado (particípio do verbo castigar, com o sufixo -ado).

 

06 – A partir das palavras a seguir, forme outras pelo processo de derivação regressiva.

       passar – espantar – alcançar – castigar – nadar – acontecer.

      A derivação regressiva reduz a palavra original (geralmente verbos) para criar substantivos abstratos que indicam a ação:

      Passar: o passo

      Espantar: o espanto

      Alcançar: o alcance

      Castigar: o castigo

      Nadar: o nado (ou o nade)

      Acontecer: o acontecimento.

 

07 – Forme parassintéticos verbais que tenham como base os nomes a seguir:

Grande – parede – pedaço – sócio – terra – velho – caixa – frio.    

      Na parassíntese, o prefixo e o sufixo devem ser adicionados ao mesmo tempo. Se você tirar um deles, a palavra deixa de existir.

      Grande: engrandecer

      parede: emparedar

      pedaço: espedaçar (ou despedaçar)

      sócio: associar

      terra: aterrar (ou enterrar)

      velho: envelhecer

      caixa: encaixar

      frio: esfriar (colocar na geladeira) ou resfriar.

                                            

08 – Transcreva, das sequências a seguir, as palavras formadas por derivação prefixal e sufixal.

a)   reflorestamento, esfarelar, emagrecer, desqualificar.

      Reflorestamento (existe florestamento e existe reflorestar) e desqualificar (existe qualificar e existe desqualificado). (Obs: "esfarelar" e "emagrecer" são parassintéticas, pois não existem as palavras "farelar" nem "magrecer").

 b) desonestidade, inconstitucional, ensurdecer, reintegração.

      Desonestidade (existe honestidade e desonesto) e inconstitucional (existe constitucional e inconstituto / inconstitucionalidade), além de reintegração (existe integração e reintegrar). (Obs.: "ensurdecer" é parassintética, pois não existe "surdecer").

 

CARTAZ: SOLTAR BALÕES NÃO É LEGAL! - COM GABARITO

 Cartaz: Soltar Balões não é legal!

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfq23uakyn6o234FA9OzZS5ZFoyD11eZoOgykmJ1JWePC1W4DM3Zf_pE3oOk1BYci0CHiYEx81gD6eTnDsTa13Yar1rtm15SpovI7VhhUihA26DcEbH0Sc2KXjCL2ReJNjYMT0F391gFgjjJJbKP3oy1EfMFkRpFlbVsW8AVrkkVSS1A5KOxfP-wjaOow/s320/bala%C3%B5.jpg

Entendendo os cartazes:

01 – Esses textos são exemplos de:

a) notícia                   

b) artigo de opinião

c) narração               

d) publicidade

 

02 – A propaganda é um texto criado para convencer pessoas. O objetivo dessas três propagandas é o mesmo. Qual?

      Convencer as pessoas a não soltarem balões.

 

03 – Qual é o público-alvo dessa propaganda (a quem ela se dirige)?

      Pessoas que soltam balões.

 

04 – Qual seria a melhor época do ano para divulgar essas propagandas?

      Na época das festas juninas.

 

05 – Responda de acordo com a 1ª propaganda:

a) O balão foi representado como se fosse humano e com um motosserra na mão. Qual é o objetivo de apresentá-lo dessa forma?

      Mostrar que o balão destrói a natureza.

b) O que as pessoas devem fazer se souberem de alguém que soltou um balão?

      Denunciar, ligando para a polícia.

c) Por que, além da floresta, há também uma casa no cenário da propaganda?

      Para mostrar que a queimada pode chegar até as casas também.

 

06 – Responda de acordo com a 2ª propaganda:

a) A frase central da propaganda foi escrita como se modificasse uma outra frase. Que frase é essa?

      Soltar balões é legal.

b) A palavra legal, na frase original, tem que sentido?

(  ) De acordo com a lei.                  (X) Ótimo, bom.

c) Com a nova construção da frase e o acréscimo da expressão “crime ambiental”, em que sentido a palavra legal foi usada?

(X) De acordo com a lei.                  (  ) Ótimo, bom.

d) O que pode acontecer com quem solta balão, de acordo com a lei?

      1 a 3 anos de prisão ou multa.

 

07 – Agora responda com base na 3ª propaganda:

a) Nessa propaganda, dois argumentos são usados para convencer o leitor. Quais?

      Quem ama a natureza não solta balões/ Soltar balão é crime.

b) Quem está repreendendo a pessoa que iria soltar um balão?

      O policial.

c) Como essa pessoa se sentiu nessa situação? Justifique com elementos da propaganda.

      Se sentiu envergonhada, porque tapou o rosto.

 

TEXTO: MARIA VAI COM AS OUTRAS EM AÇÃO - COM GABARITO

 Texto: Maria vai com as outras em ação

 

        Os mesmos que hoje adotam Dunga como queridinho, em redes sociais e no twitter, [...] serão os que voltar-se-ão contra o técnico da Seleção em caso de fracasso.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1Kj6rgGS3lIFvvZs2-K0Z7Md6bV5-8AnB4n9Ug-hrag_P1gvvKGOAIEvx3p_RM9F_KePkxHgyPXeRgIoZuBC08jSh6K46W7RhDYZQPkKA6xYG-Ok9wth5BaHnjZ-5QYS0pi_xS1b_ou-fiR1FLSAhQTUZebiePl7inbmBWv-CsU0_ylP9PcgRTXSZye8/s320/dunga1.jpg


        E o farão sem dó nem piedade. É uma legião de maria vai com as outras, cujo cérebro não resiste à manutenção de uma opinião própria.

        Seus conceitos e preconceitos migram de forma proporcional à capacidade neuronal de raciocínio: quase nula. Podem cobrar depois.

http://wp.clicrbs.com.br/castiel/2010/06/24/maria-vai-com-as-outras-eletronicos/?topo=77,2,18.

 

Entendendo o texto:

01 – Segundo o texto, a expressão “Maria vai com as outras” significa pessoas que:

(A) têm pouca capacidade de raciocínio.  

(B) adoram o técnico da seleção.

(C) falam mal do Dunga.                           

(D) seguem a opinião dos outros.

 

02 – Qual é a crítica central que o autor faz aos usuários de redes sociais em relação ao técnico Dunga?

      O autor critica a volatilidade e a falta de opinião própria dessas pessoas. Ele aponta que os mesmos internautas que hoje elogiam e apoiam o técnico serão os primeiros a atacá-lo de forma cruel ("sem dó nem piedade") caso a Seleção Brasileira fracasse, mudando de lado apenas para seguir a corrente do momento.

 

03 – No trecho “...serão os que voltar-se-ão contra o técnico...”, a palavra “que” refere-se a qual termo dito anteriormente?

      Refere-se aos "mesmos" (os usuários de redes sociais / internautas) mencionados no início do parágrafo ("Os mesmos que hoje adotam Dunga...").

 

04 – Que recurso o autor utiliza no último parágrafo para demonstrar total convicção na previsão que fez?

(A) Ele cita dados estatísticos extraídos do Twitter.

(B) Ele desafia o leitor com a frase "Podem cobrar depois".

(C) Ele elogia a capacidade de raciocínio dos torcedores.

(D) Ele usa argumentos científicos sobre os neurônios humanos.

 

05 – O tom geral do texto do autor pode ser classificado como:

(A) Irônico e crítico.

(B) Neutro e informativo.

(C) Divertido e acolhedor.

(D) Indeciso e elogioso.

TIRINHA: RADICAL-CHIC - COM GABARITO

 Tirinha: Radical-Chic

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHCsi3prvfe31fsgcDl94Rpl9Y1hbwnJZMxrmm-j0qBKsW8UI1yC2FFyr0FAXsSYgbSzrEEpxQwDv8fA-3o-pP4sxYGpWMORkrl7Aq4kfcvT3oSb_wyL9BM0t5dXcQwmqDuoOPk0fuYZUnrBMhVGPT2RI71Psbylt0b8JkV7RFWaeQE9sWUGVgYf4vzZY/s320/RADICAL.jpg

Entendendo a tirinha:

01 – Nesse texto, além das palavras, que outro recurso foi usado para expressar ideias?

      Além da linguagem verbal (palavras), foram usados recursos da linguagem não verbal (visual). Isso inclui as expressões faciais e corporais da personagem, o tamanho dos balões de fala, a ausência de texto em alguns quadros e a variação no tamanho das próprias personagens (recurso de escala) para transmitir sentimentos de opressão ou liberdade.

 

02 – Quem fala ou faz alguma coisa é personagem da história. Quando os personagens conversam, temos um diálogo.

a) Quais são as personagens do texto? Há diálogo entre eles?

      As personagens são a Radical-Chic (a filha jovem/adulta) e sua mãe. Não há um diálogo real, mas sim um monólogo da mãe. A mãe fala o tempo todo, enquanto a filha apenas ouve, reage visualmente e tenta interromper ou responder, sem sucesso.

b) A fala da mãe está claramente expressa? Justifique.

      Não de forma tradicional. A fala da mãe é representada por balões entupidos de texto miúdo, sobrepostos, ou que nem sequer mostram palavras legíveis em alguns momentos, simbolizando um "bombardeio" de perguntas, cobranças e conselhos que sufocam a filha.

03 – A história apresenta cinco quadrinhos. O que a mãe teria dito à filha no quadro 2?

      No quadro 2, a mãe provavelmente fez uma enxurrada de perguntas invasivas ou deu conselhos excessivos sobre a vida pessoal, profissional ou amorosa da filha. O quadro costuma ilustrar o acúmulo de cobranças típicas maternas ("Já comeu?", "Cuidou do casaco?", "E os namorados?", "Por que você não liga?").

 

04 – Observe o desenho do quadro 3 e conte o que a moça está sentindo enquanto a mãe faz tantas perguntas.

      A moça está se sentindo sufocada, impaciente e estressada. A expressão facial de desespero ou cansaço e a postura corporal mostram que ela está acuada pelo volume de palavras e pela pressão psicológica que a presença e a fala da mãe exercem sobre ela.

 

05 – Pelo tamanho das figuras no último quadro, responda:

a) A mãe continua mandando na filha?

      Sim, visualmente sim. O último quadro faz uma metáfora visual: a mãe é desenhada de forma gigantesca ou imponente, enquanto a Radical-Chic aparece minúscula. Isso mostra que, psicologicamente, a autoridade e a opinião da mãe ainda diminuem e dominam a filha.

b) A mãe preocupa-se demais em proteger a filha? Como você sabe disso?

      Sim. Sabemos disso porque todo o falatório e o comportamento controlador da mãe (embora exagerados e sufocantes) nascem do instinto materno de cuidado e superproteção. A tirinha satiriza justamente esse paradoxo: o amor que protege é o mesmo que, por passar dos limites, acaba sufocando a individualidade dos filhos.

 

TIRINHA : PRONOMES OBLÍQUOS - COM GABARITO

 Pronomes Oblíquos – Tirinha

 


Entendendo a tirinha:

01 – A mulher diz a sua amiga que o marido e sua mãe estão se dando bem, porque estão brincando juntos, mas isso não é verdade. Por quê?

      Porque ele enterrou a sogra e escreveu “Aqui jaz anaconda”, chamando-a de cobra.

 

02 – Essa tirinha é atual. Como é possível saber disso?

      Porque ele fala que a foto vai para o Facebook.

 

03 – Na fala da mulher, em “Ele tá brincando de enterrá-la na areia!!!”, o pronome destacado refere-se a que palavra dita anteriormente por ela?

      Mamãe.

 

04 – Identifique a que palavra se referem os pronomes em destaque a seguir:

a) Minha amiga ligou e estou saindo para ajudá-la.

      Amiga.

b) Perdi meu celular, você me ajuda a encontrá-lo?

      Celular.

c) Marina está chorando porque cortaram-na da peça.

      Marina.

d) Já terminei de ler seu livro, vou deixá-lo na sua casa.

      Livro.

e) O garoto está chorando porque o acusaram de um crime.

      Garoto.

f) Você viu minhas chaves? Tinha certeza de que as esqueci aqui.

      Chaves.

g) Deixei meus livros na sua mesa. Não os jogue fora.

      Livros.

h) Pedro está apaixonado por Laura. Ele vai pedi-la em casamento.

      Laura.

i) Entrou uma barata no meu quarto. Ajude-me a matá-la.

      Barata.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CAUSO(FÁBULA): A CAUSA DA CHUVA - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Causo (Fabula): A causa da chuva

 

        Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSmuOb2OhiqPffh22h5zOnIkYbz2PZbaC4ZzrNAEp7LdRGUBto8CgOKPZjst6_OEHfOAMWCdOu4HVuPWiLjt021nM3kl6qwgrp4WeJ3vU3ATdi-QhA88sBRyg7DArvNGU4_327VxeAuBmSmQTUdU7JZp9lnZqFvDRxAMihTucwaMOxqhxlGEjw3aoVjOk/s320/images.jpg


        -- Chove só quando a água cai do telhado de meu galinheiro – esclareceu a galinha.

        -- Ora, que bobagem! - disse o sapo de dentro da lagoa. – Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.

        -- Como assim? – disse a lebre. – Está visto que só chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d'água que têm dentro.

        Nesse momento começou a chover.

        -- Viram? – gritou a galinha. – O telhado de meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!

        -- Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? – disse o sapo.

        -- Mas, como assim? – tornou a lebre – Parecem cegos! Não veem que a água cai das folhas das árvores?

                                                                                                                       Millôr Fernandes.

Entendendo o causo:

01 – O trecho do texto que indica um fato é:

(A) “...começou a chover.” 

(B) “... diziam que ia demorar...”  

(C) “... que bobagem!”  

(D) “... diziam que ia chover...”

02 – A ideia central do texto é apresentar uma discussão sobre:

(A) o telhado do galinheiro.  

(B) a chuva.  

(C) a água da lagoa.  

(D) as folhas das árvores.

03 – A inquietação dos animais tem como causa:

(A) a necessidade de águas nas árvores do lugar.  

(B) a expectativa de chuva no verão na lagoa.

(C) a ausência de água na lagoa onde moravam;

(D) a falta de chuvas no lugar onde moravam.

04 – O que o ponto de vista de cada animal (galinha, sapo e lebre) revela sobre a forma como eles enxergam o mundo?

      Revela que cada animal é egocêntrico, ou seja, eles enxergam a realidade apenas a partir de suas próprias vivências e do ambiente onde vivem. A galinha foca no galinheiro, o sapo na lagoa e a lebre nas árvores e matas. Eles não conseguem perceber o fenômeno de forma ampla e geral, apenas como o afeta diretamente.

 05 – O que há de irônico ou engraçado no comportamento dos animais após a chuva finalmente começar a cair?

      A ironia está no fato de que, mesmo com a chuva acontecendo diante deles e provando que todos estavam certos de alguma forma (a água caía no telhado, na lagoa e nas folhas ao mesmo tempo), eles continuaram discutindo. Em vez de celebrarem o fim da seca, preferiram focar em provar quem tinha a "razão absoluta".

06 – A moral implícita dessa fábula de Millôr Fernandes critica um comportamento muito comum entre os seres humanos. Que comportamento é esse?

      O texto critica a intolerância e a incapacidade de ouvir e aceitar a verdade do outro. Assim como os animais, muitas vezes as pessoas brigam por defenderem pontos de vista limitados e individuais, acreditando que a sua própria percepção da realidade é a única verdade correta, ignorando o contexto geral.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): CONVERSA DE BOTEQUIM - VADICO E NOEL ROSA - COM GABARITO

 Música (Atividades): Conversa de botequim

          Vadico e Noel Rosa

Seu garçom faça o favor

De me trazer depressa

Uma boa média que não seja requentada,

Um pão bem quente com manteiga à beça,

Um guardanapo

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB0kuwUypJQULuQPpl_yurEFjoD0FwRGwKcw5mx65u3hIevyoOqxFG7iYQCTCOVGllhjM7cLr8dCVVcycPEwTcO_454rA5XEyky56-l82F07FIG02scc_CxcBCls-QauSJknDhH8BY7njPWdETj2ajdw4r562OX096MOj_1wLjrzcT6hp-BtE6LuyE2LI/s320/images.jpg


E um copo d`água bem gelada

Fecha a porta da direita

Com muito cuidado

Que eu não estou disposto

A ficar exposto ao sol

Vá perguntar ao seu freguês do lado

Qual foi o resultado do futebol

 

Se você ficar limpando a mesa,

Não me levanto nem pago a despesa

Vá pedir ao seu patrão

Uma caneta, um tinteiro,

Um envelope e um cartão

Não se esqueça de me dar palitos

E um cigarro pra espantar mosquitos

Vá dizer ao charuteiro

Que me empreste umas revistas

Um isqueiro e um cinzeiro

 

Telefone ao menos uma vez

Para 34-4333

E ordene ao seu Osório

Que me mande um guarda-chuva

Aqui pro nosso escritório

Seu garçom me empreste algum dinheiro

Que eu deixei o meu com o bicheiro,

Vá dizer ao seu gerente

Que pendure essa despesa

No cabide ali em frente.

 

Entendendo a música:

01 – Logo no primeiro verso, por meio do uso de um vocativo, fica claro quem fala e quem escuta nessa “conversa”.

a)   A quem a personagem que fala na canção se dirige?

      Ao garçom.          

b)   Quem é a personagem que fala?

      O cliente de um bar ou botequim.

02 – Observe como o tamanho dos versos desta canção varia muito. Pensando também no título, como você explicaria esse fato?

      A canção imita a fluidez e a coloquialidade da fala.

03 – No entanto, para realizar-se como canção, a letra e a melodia devem manter ainda alguma regularidade. Assinale as rimas da canção.

      Resposta pessoal do aluno.     

04 – Em que modo estão os verbos usados pela personagem para se dirigir ao garçom? Por quê?

      Os verbos estão no imperativo. Eles definem o tipo de relação que se estabelece entre as personagens da canção.

05 – Na primeira estrofe, o “cliente” faz ao garçom uma série de pedidos.

a)   O que ele pede?

      Um média (xícara de café com leite), um pão quente com manteiga, um guardanapo e uma gelada.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Sim, pois são pedidos de um cliente a um garçom de botequim.

06 – Na segunda estrofe outros pedidos são feitos.

a)   Quais são eles?

      Para que o garçom não limpe a mesa e para que traga uma caneta, um tinteiro, um envelope um cartão, palitos, cigarro, revistas, isqueiro e cinzeiro.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Não são mais pedidos apropriados a um botequim, pois incluem itens encontrados na tabacaria ou na papelaria.

07 – Na última estrofe, o “cliente” parece passar dos limites.

a)   O que ele pede ao garçom?

      Pede para que o garçom ligue para um número e ordene a um tal de Osório que mande um guarda-chuva; pede dinheiro emprestado e pede para que o gerente “pendure” a conta.

b)   Explique por que esses pedidos excedem o que se espera que um cliente peça a um garçom.

      Os pedidos da última estrofe são inusitados, o que ajuda a produzir o humor na canção. Eles imitam uma relação de patrão com empregado, ou de pessoa muito “espaçosa”, em ambiente familiar.

c)   Como o botequim é chamado pelo cliente?

      Nosso escritório.

d)   O que esse cliente vai fazer no botequim?

      Provavelmente, ele é um poeta, um sambista que vai ao botequim para compor suas canções.

TIRINHA: ALINE E SEU BLOG - DERIVAÇÃO REGRESSIVA - COM GABARITO

 Tirinha: Aline e seu blog

 


Entendendo a tirinha:

01 – Com base no enunciado da questão, qual é o principal motor do humor ou da ironia na tirinha de Aline?

      O humor reside no contraste e na quebra de expectativa. Aline lida com a frustração da baixa audiência do seu blog, mas a situação atinge o ápice da ironia quando ela descobre que o seu "único apreciador" não tem um perfil qualificado ou refinado, o que desvaloriza a validação que ela tanto buscava.

02 – Na linguagem da internet e dos quadrinhos, a busca por aprovação virtual é um tema recorrente. Como a tirinha satiriza o comportamento dos produtores de conteúdo digital?

      A tirinha satiriza a dependência emocional que os criadores têm dos "likes", comentários e acessos. O quadrinista sugere que a obsessão por validação virtual pode colocar o criador de conteúdo à mercê de figuras bizarras, mostrando que a quantidade ou a qualidade dos seguidores nem sempre condiz com a expectativa do autor.

03 – No segundo enunciado, há uma menção a "neologismos". De que forma a linguagem informal e a criação de novas palavras enriquecem o texto de uma tirinha humorística?

      Os neologismos (como "blogar", "trollar" ou termos específicos da internet) aproximam a linguagem da personagem da realidade do leitor jovem e urbano. No contexto do humor, ajudam a construir uma atmosfera moderna e irônica, facilitando a identificação rápida com o tema da tecnologia.

04 – O enunciado pede exemplos de "derivação regressiva". Explique o que é esse processo gramatical e dê um exemplo comum que poderia estar associado ao universo de blogs e frustrações.

      A derivação regressiva ocorre quando uma palavra nova é formada pela redução de uma palavra já existente (geralmente verbos que perdem suas desinências e se tornam substantivos abstratos). Exemplos comuns nesse universo seriam: do verbo debater surge o substantivo o debate; do verbo ajudar surge o ajuda (ou o "help"); ou de criticar surge a crítica.

05 – O tom da tirinha de Adão Iturrusgarai costuma ser sarcástico. Se analisarmos o encontro de Aline com seu único seguidor, que crítica social sutil podemos extrair sobre as relações humanas na era digital?

      O autor sugere que a era digital cria conexões ilusórias. Aline projeta uma imagem de "artista" para o público da internet, mas o choque de realidade ao encontrar seu único fã cara a cara revela a solidão e o vazio que muitas vezes se escondem por trás das interações virtuais.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): PEDRO PEDREIRO - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Pedro pedreiro

          Chico Buarque

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhoscJzgOI1zQsiL8uLw0k5q8YX7f69cGtrSUHaU_X35fEFyqF9CjUIAQlP1Uxlf6h227bxlisG_XnllCeRYt63YQtgYo3n_XfZ2GvR8K48qcl6g_z3g_twoTJyD97QOyJ0UeXJUjFdjq77IQpdejuCALqaLBNvRZwMY7a12awLAjVJH0BBwoTMZvKsuIk/s320/images.jpg 

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem,

Esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo

Espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá

O desespero de esperar demais.


Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser 

Pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte,

Esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém,

Esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita.

Infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem...
Que já vem...

 

Entendendo a música:

01 – Quem é Pedro, personagem da música de Chico Buarque?

      Pedro representa o trabalhador braçal brasileiro (especificamente um pedreiro), pertencente às classes mais desfavorecidas. Ele é o símbolo do cidadão comum, periférico, que vive na dependência do transporte público, de salários baixos e da eterna promessa de uma vida melhor que nunca chega.

 

02 – Por que a personagem se chama Pedro?

      O nome "Pedro" é um dos nomes mais comuns e populares no Brasil. Ao escolhê-lo, Chico Buarque não está falando de um indivíduo isolado, mas sim criando um personagem-tipo. "Pedro" representa qualquer trabalhador, a massa anônima que constrói as cidades, mas que permanece invisível para a sociedade. Além disso, cria um forte efeito sonoro de aliteração com a palavra "pedreiro" (Pedro pedreiro penseiro...).

 

03 – O que você entende da seguinte passagem de Pedro pedreiro: “esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem”?

      Essa passagem resume a rotina alienante e a falsa esperança do trabalhador. Ele espera o sol (o amanhecer para começar a jornada), o trem (a condução diária) e o aumento salarial, que é sempre adiado pelos patrões ou pela inflação ("desde o ano passado para o mês que vem"). Mostra que a vida de Pedro é pautada por promessas e expectativas que nunca se concretizam no presente.

 

04 – Quantas vezes o verbo esperar e suas conjugações são repetidos na música? Que efeito de sentido essa repetição provoca?

      O verbo "esperar" e suas derivações (esperando, espera, espere, esperança) aparecem cerca de 37 vezes ao longo da letra.

      O efeito de sentido dessa repetição exaustiva é imitar a monotonia, o cansaço e a estagnação da vida de Pedro. A música faz o ouvinte "cansar" de tanto ouvir a palavra, traduzindo artisticamente a sensação de uma vida onde nada acontece e o tempo passa devagar na rotina do trabalhador.

 

05 – Reescreva a 5ª estrofe da música, de “Pedro pedreiro” até “apito de um trem”, evitando repetir a palavra “esperando”. Feito isso, compare a sua versão com a versão original. Elas provocam o mesmo impacto no leitor? Explique.

      "Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar aguardando o sol, na expectativa do trem, na ambição do aumento para o mês que vem. Na contagem regressiva para o filho que vai nascer, no desejo da festa, na busca pela sorte, na iminência da morte, na saudade do Norte. Na torcida pelo dia de não aguardar ninguém, querendo enfim, nada mais além da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem."

      Comparação: Não, elas não provocam o mesmo impacto. A substituição por sinônimos elimina o efeito de "looping" e a angústia da repetição original. A versão de Chico Buarque é impactante justamente porque a palavra "esperando" funciona como as engrenagens de um relógio ou o som rítmico do próprio trem. Sem ela, o texto vira uma lista comum de desejos.

 

06 – Por que o verbo esperar é usado predominantemente no gerúndio?

      O gerúndio ("esperando") indica uma ação contínua, prolongada e que não tem fim. Se o autor usasse o presente ("Pedro espera"), pareceria uma ação pontual. O gerúndio reforça a ideia de que a vida de Pedro é um eterno processo de aguardar; ele está permanentemente travado nessa condição.

 

07 – Os versos: “Pedro pedreiro tá esperando a morte//Ou esperando o dia de voltar pro Norte” retratam a realidade de muitos brasileiros. Quem são eles e que realidade é essa?

      Retratam a realidade dos migrantes nordestinos (historicamente chamados de "baianos" ou "do Norte" no Sudeste). Eles deixavam suas terras natais fugindo da seca e da pobreza em busca de oportunidades nas grandes metrópoles (como São Paulo e Rio de Janeiro), mas acabavam encontrando subempregos, moradias precárias e uma vida de privações, restando-lhes apenas o sonho romântico de um dia voltar para casa.

 

08 – Que sentidos podemos atribuir à palavra “norte” usada nesse texto?

      Podemos atribuir dois sentidos principais:

      Sentido Geográfico/Literal: A região de origem do trabalhador (o Nordeste/Norte do Brasil), o seu lar.

      Sentido Figurado: Um "norte" como sinônimo de direção, sentido ou propósito de vida. Pedro está perdido na rotina e busca um rumo para sua existência.

 

09 – Por que Pedro pedreiro “quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais”?

      Porque a dinâmica de "esperar" por tantas coisas (aumento, sorte, futuro do filho) gera uma ansiedade e um sofrimento psicológico insuportáveis ("se dá o desespero de esperar demais"). Pedro sente que a ambição e a esperança o escravizam. Ele prefere a ignorância e a pobreza absoluta, desde que isso o liberte da tortura mental de viver esperando por um futuro que nunca chega.

 

10 – Quando se diz: “Pedro não sabe, mas talvez no fundo//Espere alguma coisa mais linda que o mundo”, que coisa mais linda poderia ser essa?

      Essa "coisa mais linda" pode ser interpretada como a libertação plena, a dignidade humana ou a justiça social. Mesmo alienado e sem conseguir verbalizar, no fundo do seu ser, Pedro anseia por um mundo ideal, onde o homem não seja explorado e onde a vida não seja resumida apenas a trabalhar e pegar o trem.

 

11 – O verso: “Esperando um filho pra esperar também” revela um ciclo difícil de se romper no Brasil. Que ciclo é esse? Por que ele acontece e como ele poderia ser quebrado?

      O Ciclo: É o ciclo da pobreza hereditária e da falta de mobilidade social. O filho do pedreiro está fadado a ter o mesmo destino social e econômico do pai.

      Por que acontece: Devido à desigualdade estrutural, falta de acesso a empregos dignos e salários justos que assolam as classes mais baixas.

      Como quebrar: Através de políticas públicas profundas, principalmente com educação pública de alta qualidade, distribuição de renda, oportunidades de emprego e acesso à cultura para as periferias.

 

12 – O que nos sugere o efeito sonoro produzido pelo final da música: “que já vem...// que já vem...// que já vem... que já vem...”?

      O ritmo decrescente e repetitivo mimetiza o som do trem freando na estação, aproximando-se da plataforma. Ao mesmo tempo, ironiza a própria dinâmica da vida de Pedro: após passar a música inteira parado esperando, finalmente algo (o trem/o futuro) parece estar chegando, mas a música acaba, deixando o desfecho em aberto.

 

13 – Pode-se dizer que Pedro pedreiro é um homem esperançoso? Justifique sua resposta.

      É uma resposta ambígua. Pedro vive da "esperança", mas não de uma esperança ativa (de quem luta para mudar), e sim de uma esperança passiva (daquele que apenas aguarda o destino). A própria letra chama essa esperança de "aflita" e diz que ela dá o "desespero de esperar demais". Portanto, ele é esperançoso por necessidade de sobrevivência psicológica, mas essa esperança é o seu próprio castigo.