terça-feira, 7 de abril de 2015

SOBRE LEITURA E FORMAÇÃO DE LEITORES

Sobre leitura e formação de leitores

"É preciso ensinar aos alunos a beleza da língua e reafirmar as noções de que o livro é um amigo que está sempre ao nosso lado." Ana Maria Machado

A leitura é fundamental em nossas vidas.


O processo de formação de um leitor começa desde muito cedo. A mãe que lê histórias para o filho que ainda está em seu ventre, a avó que conta causos e lendas aos netos, o contato com livros, revistas, jornais, o simples fato de ver um adulto ler silenciosamente são grandes contribuições para formarmos futuros leitores.

Infelizmente, não são todas as crianças que vão para a escola com estas vivências.Cabe, então, ao educador proporcioná-las aos alunos. Mesmo os que têm contato com livros e histórias necessitam ser estimulados continuamente.

Uma contação de história pode e deve ser feita das mais diversas formas. É muito comum serem utilizados recursos como: álbum seriado, fichas, ampliações, painéis, o próprio livro, etc. Porém, é viável fazer uma ótima contação utilizando, apenas, a voz e expressões faciais da contadora. Isso tudo torna-se ainda mais fácil e prazeroso, quando contamos uma história pela qual somos "apaixonados(as)". Transmitimos o encantamento, quando nós mesmos somos encantados pelo que fazemos e lemos. Para despertar em nossos alunos o gosto pela leitura, é necessário compartilharmos dele.

O ato de ouvir e contar histórias está, quase sempre, presente nas nossas vidas: desde que nascemos, aprendemos por meios das experiências concretas das quais participamos, mas também através daquelas experiências das quais tomamos conhecimento através do que os outros contam. Todos temos necessidade de contar aquilo que vivenciamos, sentimos, pensamos e sonhamos. Dessa necessidade humana surgiu a literatura: do desejo de ouvir e contar para através dessa prática, compartilhar. (GRAIDY e KAERCHER, 2001, p.81).

A leitura tem o poder de nos tocar profundamente, fazer-nos viajar e modificar-nos, por que não!? 

Não há receita para educar, tão pouco para garantirmos que nossos alunos terão o hábito de ler, mas se nós, educadores, pudermos incentivá-los desde cedo, teremos uma probabilidade de êxito muito maior.

Eu conheço bem a história, me encantei com ela, utilizei recursos que chamaram a atenção dos alunos, disponibilizei a eles livros e vivências ligadas à leitura, fiz minha parte! 

Se o educador valorizar estas "pequenas grandes coisas", com certeza,  terá semeado nos educandos o conhecimento e gosto pela literatura. 

Para gostar de ler, é preciso ler bem. E para ler bem, é necessário ter diante de si bons materiais de leitura e situações que favoreçam um trabalho ativo de construção do sentido do texto. Isso exige oferecer livros variados e de qualidade, selecionados por educadores que planejem atividades que possibilitem, entre outras coisas: compreender o que está escrito e também o que não está, identificando elementos explícitos e implícitos; estabelecer relações entre a obra lida e outras já conhecidas; descobrir os inúmeros sentidos que podem ser atribuídos a ela; justificar e validar a sua leitura com base em elementos encontrados no próprio texto e em seu contexto. Ou seja, formar leitores requer um investimento significativo na construção de uma comunidade que compartilha seus textos, troca impressões acerca de obras lidas e constrói um percurso leitor próprio, inicialmente mediado pelo professor e, posteriormente, com autonomia.

“Nosso problema não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas é, também, e sobretudo, levar os indivíduos – crianças e adultos – a fazer uso da leitura e da escrita, envolver-se em práticas sociais de leitura e de escrita”. (SOARES, 1998, p.18)

Para que um bom texto literário esteja a serviço do ensino da leitura na escola, é preciso promover o seu encontro com o leitor. E esse encontro, em um primeiro momento, se estabelece nas relações entre a obra em questão, o leitor e suas experiências leitoras (sua biografia leitora, os procedimentos e comportamentos leitores que possui e seu contexto social e cultural, entre outros) em um esforço que demanda tempo, frequência e situações didáticas criteriosamente planejadas para promover a construção de sentidos em torno do texto a ser lido.

É preciso, antes de tudo, lembrar que ler exige vontade, tempo, solidão, concentração e coloca em jogo habilidades específicas. E por isso, se quisermos formar leitores, faz-se necessário dedicar espaço nas aulas para a prática da leitura individual, em atividades que deem sentido às leituras escolares, promovendo o estudo e a análise das obras lidas, ajudando os alunos a estabelecer relações com seu contexto de produção e com outros livros, desenvolvendo projetos que relacionem o trabalho com leitura a projetos de escrita em torno do literário etc. Dessa forma, crianças e jovens poderão, a partir dessas aprendizagens, tornar-se, pouco a pouco, capazes de transferir os conhecimentos adquiridos a todos os textos que venham a ler posteriormente.

"Um livro pode ser nosso sem nos pertencer. Só um livro lido nos pertence realmente".( Eno T. Wanke )

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